Strule

E aí, Jack aqui.

A Wikipedia define luto como “um conjunto de reações a uma perda significativa”, essa perda geralmente é vista como a morte de um ser, mas Kubler-Ross aplicou esse conceito a qualquer perda seja um ente querido ou até o fim de uma amizade. Talvez você não esteja familiarizado com o nome Elisabeth Kubler-Ross, mas com certeza conhece seu modelo para o luto. O modelo Kubler-Ross fala que ao sofrer o luto uma pessoa passa por 5 estágios, sendo eles a negação, a raiva, a barganha, a depressão e a aceitação.

Como muitos de vocês sabem eu sofro de doença crônica o que significa que eu estou doente e vou continuar até o dia que morrer, não tem cura. No meu caso, são doenças que, apesar de acabarem com sua qualidade de vida, não matam, sendo elas a Disautonomia e a Fibromialgia, apesar da suspeita de Encefalomielite Mialgica não vou falar dela por não ter confirmação de diagnóstico. Eu estou doente, essa parte eu aceitei, é fácil aceitar quando você faz um exame ou dezenas deles, o que ainda não consegui aceitar foi que quem eu era, a saúde que eu tinha, as habilidades que eu possuia, nunca vão voltar.

Veja, a fibromialgia não é apenas uma dor inimaginável no corpo, ela acompanha fraqueza muscular, confusão mental, dificuldade pra dormir, dificuldade de engolir e outras coisas. Já a disautonomia, putz, eu poderia passar o dia escrevendo sobre, mas no meu caso o que mais me incomoda é a produção excessiva de muco, problemas na regulação de temperatura corporal, taquicardia e a mais irritante que é a hipotensão ortostática, o que significa que ao sentar ou levantar minha pressão cai, e as vezes essa queda é grande o bastante pra me fazer desmaiar. São doenças filhas da puta, a primeira é de nascença, a segunda é um presentinho da COVID, qualquer pessoa pode desenvolver disautonomia e ter COVID facilita que isso aconteça.

Eu era inteligente pra caralho, passei em 11º lugar numa escola super concorrida no ensino médio, 2º em outra, 5º na faculdade de Engenharia de Software numa federal e 1º em psicologia pelo PROUNI, agora, graças a essas doenças e aos remédios pra elas eu sou tão burra quanto uma porta e tenho a memória de um peixinho dourado, isso é frustrante, dá raiva sabe.

Eu tenho 28 anos, o que significa que, segundo a estimativa brasileira, eu tenho uns 48 anos pela frente. Muitos desses sem o apoio financeiro e emocional dos meus pais, sem ajuda pra ir pra lá e pra cá. Eu tenho 48 anos de dor, burrice e dificuldade para fazer tarefas básicas pela frente, isso também é frustrante, isso também me dá raiva.

E é nesse estágio que eu to, a raiva, e tenho um longo caminho pra aceitar que é isso aí. Eu to cansada, to exausta, e pensar nisso me deixa com ódio. Com ódio de um deus que nem é o que acredito, por permitir que eu tenha isso tudo, com ódio de mim por não usar máscara 24/7, com ódio dos meus pais por ter me tido, com ódio do animal que resolveu comer um pangolim e soltar o coronavirus no mundo, ódio, é nisso que se resume minha vida ultimamente, e bastante tristeza também. Bom, era isso que eu tinha pra falar essa semana, obrigada por me ouvirem

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E aí, Jack aqui

TW: MORTE DE ANIMAIS

Eu tenho TEPT, e o motivo não é um assalto, uma guerra, um sequestro nem nada do tipo, meu TEPT é com a morte de um pet. Nossa família resgata coelhos em situação de vulnerabilidade, Lola era a mais forte do bando e a mais querida também, nós a resgatamos depois dela ser abandonada na rua. Mas tinham também a Cristal e o Topázio, que eram coelhos de criadouro, o Banguela, que foi criado dentro de uma gaiola e o Rodolfo que era criado junto com cachorros que frequentemente o assustavam.

O problema foi, quando resgatamos o Rodolfo não sabíamos que ele estava doente, não fizemos quarentena, o erro foi nosso. Então começou com a Cristal, fraqueza, perda de peso e pelo, corremos para o vet, demos antibiótico e nada, fizemos cultura bacteriana, mas quando saiu o resultado foi tarde demais. Era uma bactéria resistente àquele antibiótico. O próximo foi o Topázio, mesma coisa, levamos no vet e ele passou um remédio mais forte, mas nada, Topázio agonizou por 1 noite antes de morrer. Rodolfo era gordo e peludo, não percebemos ele perdendo peso até ser tarde demais, percebemos em um dia, no outro fui pra academia e quando eu voltei era tarde.

Mas nada aconteceu com o Banguela e a Lola, eles não perderam peso, nem pelo, nada. Chegou dezembro e, de surpresa no dia 1º a Lola teve 8 bebês e foi aí que o problema começou. Ela logo começou a perder peso, mas era normal, ela estava amamentando, umas semanas depois começou a perda de pelo próximo ao focinho, mas coelhos podem ter isso por um outro problema então torcemos pra isso. Mas então ela começou a ficar letárgica e não pudemos mais ignorar, levamos ela no vet já sem esperança pedindo pra ele acabar com o sofrimento dele, a resposta foi “posso fazer isso, mas acho que ainda podemos salvar ela”, isso foi na segunda semana de janeiro. Ela ficou internada, voltou a comer e ficar mais forte e levamos ela pra casa no dia 16.

Dia 19 – 08:00 – minha mãe me acorda para buscar remédio na farmácia de alto custo, um programa do governo do estado que dá para a população remédios caros que não estão disponíveis nas UBS.

13:00 – chego em casa, cansada e sonolenta por causa dos meus remédios, resolvo tirar um cochilo

15:30 – acordo assustada com gritos, chego na sala e era a Lola, gritando de dor, pego ela nos braços e dou o dobro da dose de dipirona. Sabendo que não posso fazer mais nada, ligo pra minha mãe e digo “corre, a Lola está morrendo”, mas não deu tempo, assim que desligo o telefone ela para de respirar, nos meus braços.

Durante os próximos meses acordei diversas vezes ouvindo gritos, vendo ela, como uma alucinação, revivendo tudo como se eu estivesse lá outra vez. Isso acontecia acordada também, mas eu não podia contar pra ninguém. Minha mãe nunca mais iria adotar um pet se soubesse que eu estava sofrendo tanto, e eles eram minha terapia em um momento que eu não podia pagar 100 reais por semana em um terapeuta. Os flashbacks diminuiram com o tempo, hojem em dia só tenho eles uma vez a cada 4 ou 5 meses, mas tive um terça-feira. E é por isso que resolvi contar sobre os últimos dias da Lola.

Não me arrependo de ter resgatado ela, sem ela o Tesla não existiria. Sim, o Tesla é filho da Lola e do Banguela, daquela última ninhada. Mas me arrependo de algumas coisas, primeiro de ter resgatado o Rodolfo, depois de não ter feito quarentena(que hoje fazemos com todos os novos pets), então o pior, não ter levado ela no veterinário antes. Se tivesse feito isso teríamos tempo de uma cultura pra descobrir qual antibiótico usar, mas a gente entrou em negação, era qualquer coisa menos a bactéria, e esse foi nosso maior erro.

Se você está se perguntando “E o Banguela?”, bom, pra terminar com um final agridoce o Banguela viveu mais um ano e nunca demonstrou sintomas da bactéria, ele morreu em junho de 2025 por uma mistura de infecção respiratória pelos anos que viveu na chuva em uma gaiola, e E. Cuniculli, um parasita que afeta os rins e o estômago, mas que não tinha relação nenhuma com a bactéria. Nunca descobrimos que bactéria era, não fizemos cultura na Lola e decidimos não fazer autópsia, só sabemos que ela era resistente a todos os antibióticos mais comuns para coelhos e era extremamente contagiosa.

Desculpe por ferrar com o dia de vocês ao ler esse relato, e obrigada por ler mesmo assim.

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E aí, Jack aqui. Vocês já acordaram um dia e se perguntaram qual o propósito de vocês? O que te faz querer sair da cama de manhã? Dinheiro, amores, carreira?

Pra mim não é nada disso, o que me faz sair da cama é o medo. Medo de falhar, medo de perder tudo, medo de adquirir outro transtorno. Então eu levanto e vou fazer alguma coisa, coisas simples, sabe? Vou traduzir um livro, brincar com os coelhos, cozinhar... E isso me ajuda, me faz pensar menos no medo. Mas às vezes o medo volta e eu entro em crise, o que posso fazer pra ser um fardo menor? Eu não consigo estudar, trabalhar, mal consigo sair de casa, o que posso fazer? Não posso, não tenho como fazer nada, só posso esperar que tudo de certo.

Daí vem também uma crise existencial, será que medo é o suficiente como motivador? Será que ele pode mesmo ser considerado um “propósito”? E se não pode, qual é o meu?

Tem diversas coisas em que eu sou boa, consertar eletrônicos é uma, e eu sempre entro em um estado de “hipnose” fazendo isso, eu não quero fazer mais nada, só isso. Será que consertar coisas é o meu propósito? O único problema é que não é comum eu conseguir coisas pra consertar, e quando consigo, geralmente são coisas simples, que eu faço em 1 hora, 2 no máximo. Como eu posso expandir essa euforia que sinto por mais tempo? Não sei, isso vai ser algo para tratar em terapia. Acho que por hoje é isso, obrigada por ler meu relato

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E aí, Azure aqui.

Eu vejo muitos videos de gringos no tiktok sobre as várias doenças e transtornos que tenho, entre eles um tema recorrente é a falta de colaboração de médicos e dificuldade de conseguir um diagnóstico. Devo dizer que dei sorte nisso, todos meus médicos, de clínicos à reumatologistas são magníficos. Nenhum duvidou das minhas dores, nenhum me disse que é impossível viver diariamente com uma dor 4. Pelo contrário, todos me acolheram, encaminharam para o médico certo quando necessário e fizeram todos os exames que eu pedi.

Devo dizer que moro em uma cidade que é polo médico e sempre que possível optei por ir nos especialistas das minhas doenças. Fiz tomografias, ressonancias, eletros ambos cardio e encefalogramas e até mesmo o Tilt Test para POTS consegui sem alvoroço. Sinto um pouco de pena de quem não tem essa sorte, queria que todos tivessem a sorte que eu tive. Queria que todo mundo tivesse um atendimento médico de qualidade.

Em resumo, apesar de continuar com muitas dores, a culpa certamente não é dos meus médicos, inclusive terça-feira fui na reumato e ela me passou um remedinho extra pra ajudar com a fibromialgia, sou grato a ela e a todos os outros médicos que me ajudaram. Por hoje é só, fiquem bem

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Eae, Azure aqui. Já tiveram o azar de ter uma doença fodida em dose dupla?

Segunda foi meu aniversário e pra comemorar fomos pescar no sábado. Muita cerveja, caipirinha e peixe frito. Não pesquei nada, a propósito. Cheguei em casa bem, nada demais, mas meu irmão espirrava tal qual uma pessoa com rinite que passou o dia mexendo no sótão.

Tudo estava ok, até de madrugada. Sem conseguir dormir e com muita dor de barriga e náusea, na hora associei a bebedeira e comilança, mas no dia seguinte piorou, dores no corpo e tosse. Logo meu irmão, que acordou péssimo e também com dor no corpo levantou a suspeita, COVID. Acontece que sua colega de trabalho, que essa semana ficou perto dele o tempo todo, estava com COVID e pegou atestado na quinta. O dia foi péssimo, dores fortíssimas, tontura e muita náusea, mas aguentei.

Segunda-feira

Era meu aniversário e acordei ok até, falei “devia estar enganada, n era nada e exagerei”, mas sabe quando você está doente, acorda bem e vai piorando? Então, piorei. Meu irmão estava no trabalho e os médicos da UBS o forçaram a fazer exame, positivo, n haviam dúvidas que estávamos com COVID.

Os próximos dias foram a mesma coisa, acordava bem, a dor vinha, a tontura, a náusea e muita tosse, mas aguentei e chegou o natal. Quinta-feira eu já estava bem dos outros sintomas, mas eu acordei já com dor, o que não estava sendo comum, fui reparando algo diferente, as dores não eram somente nos músculos como antes, ela piorava nas articulações(inclusive está sendo sofrido escrever esse texto), mas ignorei esse fato e julguei que ainda era a COVID.

Ó inocência, eu estava enganada. Logo a dor se tornou insuportável, uma dor já familiar à Jack, mas pouco conhecida para mim. Veja bem, eu passei quase 1 ano longe do corpo e durante esse tempo nossas doenças crônicas pioraram muito, sem exceção, mas a que mais piorou foi a pior, a fibromialgia. Eu já tinha essa doença, mas eram dores suportáveis, apesar de fortes, eu tomava um Infralax e pronto, melhorava, não foi o caso. A dor era muita, eu sentia como quando quebrei minha coluna e pra isso eu conhecia o remédio, Tramadol, um amigo próximo da Morfina. Tomei, esperei, ele leva aproximadamente 40 minutos para fazer efeito, mas nada, a dor continuava e eu não sabia o que fazer, poderia tomar outra dose ou isso me faria ir de B? Não sei, minha mãe, que também tem fibro, não sabia e não era justo no natal que eu ia arriscar. Procurei codeína, outro amigo da Morfina, mas muito mais fraco, não tinha. Então me lembrei de algo que a nossa médica recomendou, mas eu não segui na época, Nortriptilina. A real é que a gente conhece bem esse remédio e o efeito colateral dele é um dos mais irritantes, boca amarga, mas dessa vez era diferente, vários remédios depois ainda sentia muita dor, então testei e esperei. Finalmente um pouco de melhora, foi o bastante para dormir, quer dizer, mais ou menos. Estava muito quente e eu não possuia forças para ir procurar o controle do ar condicionado, então ficava acordando a noite toda.

E esse foi meu natal, aliás, provavelmente será meu ano novo, já que acordei hoje com dor até nos olhos. Obrigada por lerem meu relato, fiquem bem :)

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date: 2025-12-19


Azure aqui

Pra contexto, eu tenho disautonomia, depressão persistente e fibromialgia. Em teoria remédios deveriam fazer a dor sumir, eletrólitos deveriam eu não me sentir mal ao ficar sentade ou de pé, mas não é isso que acontece. Primeiro que a dor nunca some, apesar de usar 2 remédios diferentes, claro que ela melhora, mas muito pouco, estou sempre com dor e isso é no mínimo irritante, mas não tanto quanto os efeitos colaterais. Pregabalina é a mais irritante, eu tomo e algumas horas depois estou completamente grogue, n consigo pensar e as pernas ficam bambas,

Isso só da uma sensação, eu nunca estou bem. Se não tomo remédios não consigo levantar da cama de tanta dor, se tomo os remédios os efeitos colaterais. E estamos falando só da fibromialgia. Em crises frequentes de depressão eu preciso tomar Clonazepam, vulgo Rivotril, e tenho um dos piores efeitos colaterais, um que nem faz sentido, no dia seguinte bate uma bad ainda pior.

Mas essa é a vida de ume doente crônique, você precisa escolher entre dois males. Não recomendo, too much water 7/10, literalmente pq vc precisa tomar muita água pra disautonomia, que não tem remédio. É isso por hoje, fiquem bem

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