Let it be peace
Antes de ler: este texto é baseado na poesia “slam” OCD de Neil Hilborn onde ele versa sobre como é se apaixonar tendo TOC, adaptando para a minha visão que tenho transtorno de ansiedade.
Desde a primeira vez que eu soube da sua existência, as minhas várias previsões de futuros fodidos cessaram imediatamente. Todos os arrependimentos por tudo que fiz ou deixei de fazer, assim como os desejos de finitude simplesmente sumiram. Quando você tem ansiedade generalizada vive sempre rodeado de demônios. Mesmo antes de dormir, deitado confortavelmente na minha própria cama, na segurança do meu próprio quarto, circundado de várias paredes com vários centímetros de alvenaria, eu estou sempre pensando:
E amanhã? E ontem? E aquele “sim” que ignorei? E aquele “não” que minto para mim mesmo dizendo que superei?
Mas quando eu a vi, tudo que vinha a minha cabeça eram aqueles olhos. Nem passado, nem futuro, nem oportunidades perdidas, nem erros cometidos: eram apenas eu, o aqui, o agora e aqueles olhos, envoltos numa despretensão contraditória para alguém tão próximo da perfeição. Eu sabia que devia falar com ela. E eu falei como sabia falar, como conseguia falar. Não eram coisas bonitas, mas por algum motivo ela achou lindo. Eu achava lindo tudo nela. E naquele momento eu soube que faria qualquer coisa por aquela mulher. Por ela eu parei de me preocupar que não sou suficiente. Por ela eu comecei a gostar mais de mim. Por ela eu me sinto confortável dentro da minha pele. Por ela eu durmo feliz em acordar no dia seguinte. Por ela eu aprendi a conversar e perdi o medo de notificações no meu telefone. Por ela eu pauso a música que preenche o vazio da minha cabeça, pra ouvir a voz que só ela tem que preenche não só meus pensamentos, mas também o meu sentir. Por ela eu tive cuidado comigo pela primeira vez. Por ela eu voltei a sair de casa e enfrentar de peito aberto o sol draconiano que paira sobre nossas cabeças. Por ela eu parei de odiar meus sonhos acordados. Por ela eu passei a sonhar acordado ainda mais. Por ela eu acordo dos meus sonhos mais deliciosos. Porque com ela, pela primeira vez, a realidade é melhor que o sonhar.
Para Ana Letícia