Plantinhas do meu jardim digital

Escolhi meu fonezinho. Soundcore q20i. Vi outras 2 pessoas com ele no ônibus e aqui vai um “review” voltado para quem usa fone no ônibus!

Esse fone é a escolha pra quem não quer usar os pequenos intra-auriculares, que obviamente são os mais práticos. O q20 não é grandalhão nem pesado. O cancelamento de ruído bloqueia totalmente o ar condicionado, o motor e o trânsito. Também me livrou de videozinhos, conversinhas e criança fazendo birra. Ele deixa passar conversa muito alta e conversa coletiva, mas é difícil de entender o que estão falando. Quando todo mundo no ônibus está conversando é porque deu merda (no meu caso, o BRT quebrou e tivemos que desembarcar). Também deixa passar camelô, mas ele está aos berros e eu escuto baixinho. Acontece a mesma coisa com tampão de ouvido, então só aceite que ninguém cala o camelô.

Eu usei o volume em cerca de 30% e não foi suficiente para bloquear um cara pregando a palavra de Jesus. Tive que elevar para 70% e fiquei na paz do Senhor.

Você (eu também) que não está acostumado com cancelamento de ruído: não esqueça de desligar na rua! Eu não consigo nem deixar o fone na cabeça, porque meu fone antigo era de condução óssea. Quando estou fora do ônibus eu preciso ouvir o som ambiente!

Ah, sim: aperta o brinco e machuca minha orelha, aí eu levo o brinco na bolsa e esqueço de botar. Nada disso seria necessário se as pessoas fizessem silêncio no ônibus. Eu poderia continuar com meu fone de condução óssea sem tampão de ouvido!

É isso, eu podia estar escrevendo minhas impressões no YouTube, onde mais gente vai ler, mas quando viu buscar a opinião de quem já testou um produto eu recebo gente falando vem, gente falando mal e todo mundo se ofendendo!

Depois de muito tempo ouvindo só playlist eu voltei a ouvir discos. Além disso, ressurgiu a curiosidade por sons novos em português e espanhol. Consequência: meus fones de condução óssea + tampão de ouvido usados no ônibus não ajudam em nada a entender e aprender novas músicas. Estou procurando um fone bom, bonito, barato, pequeno, cancelador de ruído, que não caia da orelha ou, se supra auricular, que não me machuque apertando os brincos. Tudo para ouvir vídeos do YouTube gravados com celular de bandas independentes em casas de show modestas. Eu sei, estou me impondo mil dificuldades quando qualquer fonezinho bom vai servir!

Não vai mudar o nome do blog pois o proprietário desistiu de vender a casa. Ele propôs um aumento, nós aceitamos.

Morri mas passo bem.

Busquei escrever um jardim digital fazendo paralelo com meu jardim literal. O problema é que o jardim é literal, o MEU é que não é. O senhorio pediu a casa.

A casa é excelente, mas é velha e precisa de muita, muita obra. Se eu levantar o valor de compra vou ter dívida pra pagar pro resto da vida e nem um centavo sobrando pra trocar uma lâmpada queimada.

Vou embora da casa. Estou tentando alugar uma similar. A primeira visita está agendada. Não tem árvore na calçada. Eu acostumei os passarinhos da minha (“minha”) árvore a me esperar às 6h com alpiste. À tarde eles entram pela cozinha e saem pela sala. Alguns voando, outros saltitando pelo chão. Conversei com eles e eles não cagam na casa nem no carro na garagem. É sério, viu? Pedi pra não cagar e não deixar os pombos andarem no quintal e no telhado e eles me atenderam! Além de rolinhas e pardais de barriguinha cheia, também recebemos pássaros canoros que começam a cantar de madrugada e vão até o por do sol. É engraçado estar com insônia, tentando dormir e os passarinhos dando a alma no palco.

Eu morava em um apartamento sem varanda e com quase zero incidência de sol. Como diz Homobono, “você não mora em casa, você nora no trabalho e no engarrafamento”, então esse cativeiro só começou a me incomodar na quarentena. Quando vim para a casa com quintal foi o êxtase. Eu disse pra mim mesma que é temporário. Ignorei meus próprios conselhos.


Importante dizer que o apartamento ainda é meu (sem aspas) e está fechado. Eu também estou me dando bronca: “para de show que você tem para onde ir”. Pra mim dá pra ficar lá. Sem sol, sem céu e acrescentando mais uns 40 minutos no trajeto casa-trabalho, mas dá.

A inquilina da casa que estamos entregando é a minha mãe. O pai morreu, meiuirmão casou e foi morar num triplex. Meu apê é no 3o. andar sem elevador. A mãe ficou sozinha em casa e tem cardiopatia e sequelas de AVC. Nem eu nem meu irmão temos um local bom pra ela morar, e ele é recém casado, então todo mundo chegou à conclusão de que eu poderia me mudar para a casa dela. Como estou conversando em público, acho bom deixar claro que se o novo aluguel fracassar, temos um teto, mas a mãe vai ter muita dificuldade para entrar e sair, e sair pra quê se está longe dos vizinhos da vida toda, da igreja a 5 minutos de caminhada, da ginástica?


Deixo aqui o testemunho da Comigo Ninguém Pode que escolheu morar debaixo da mesa. um vaso de planta de folhas verdes colocado debaixo de uma mesa.

Saí de férias por 15 dias. Me perguntaram o que eu ia fazer e na real já tem um tempo que eu não consigo programar nada. Não sei quando vou conseguir sair, quando vejo uma oportunidade de pedir os dias já está muito em cima da hora. Então eu simplesmente fiquei em casa. Hoje foi um dos melhores dias. Fiquei sozinha, sentada no sofá da sala com a tv desligada, uma coberta e um livro. Um monte de passarinho cantando e pulando nos galhos da árvore. Quando vi a cachorra sentada na varanda olhando os passarinhos me deu uma felicidade, me deu por alguns minutos a certeza de que não estou “perdendo tempo fazendo nada”.

No fim de semana a esquadrilha da fumaça fez apresentações. Muito bonitinho os aviõezinhos fazendo acrobacias. Sentei na varanda (tá, fiquei em pé sobre a mureta da varanda). Olhando pra cima o tempo todo vi o show dos passarinhos. “Eu também sei fazer! Weeeeee!” mas não, claro que eles não estavam se exibindo, eles estavam fazendo o que fazem toda a tarde e eu não tinha reparado por não ter ficado um tempão olhando pra cima antes.

Mexi um pouco nas plantas. Tentei me desfazer de uma Dracena que peguei na rua mas não estou conseguindo cuidar. Botei num vasinho, no pé da árvore da calçada. As crianças da vizinha derrubaram. Botei pra dentro. Dois dias depois botei outra vez na árvore. Agora há pouco fui buscá-la de novo porque não queria que o lixeiro levasse. De novo ela estava no chão, com a terra espalhada, o vaso tombado e as crianças da vizinha na calçada. Peguei só o vaso. Eu tentei, dracena, eu achei que alguma vizinha ia querer “planta grátis”.

Na calçada do prédio onde eu morava as lojas construíram canteiros e encheram de plantas ornamentais. Os transeuntes roubaram as plantas. Os lojistas replantaram, mas colocaram várias placas com insultos e ameaças. A ornamentação deixou de ser um ponto agradável pra pousar a vista.

Pesei o clima e anoiteceu, não tem mais passarinho brincando nos galhos. Estou vendo a ponta do rabo da cachorra, significa que tenho que limpar o “banheiro” dela... Ela entrou se lambendo... Deve ter comido o pé de girassol de novo!

Eu quero baixar tudo, mas não estou organizada para organizar as coisas, além do meu equipamento estar todo capenga e o preço do armazenamento estar na estratosfera :(

Jorge Ben Jor – Especial MPB 1972 [Raridade]. [Youtube]((), 38m55s

Joyce Alane – Tudo é minha culpa (ao vivo no Guararapes). YouTube, 40m

No site Internet Arquive, a conta MTV Media Archives BR reúne shows da MTV Brasil.

Tiny Desk Brasil e a lista “El Tiny” celebrates Latin Music Month

Postado em 2026-04-23

De onde eles vêm, de Jeferson Tenório

O romance acompanha Joaquim, um estudante de Letras em Porto Alegre nos anos 2000, um dos primeiros cotistas a entrar na universidade pública. Entre o cuidado com a avó doente, o desemprego e o preconceito, ele tenta se manter firme em seu amor pelos livros.

A obra mostra como o racismo e a desigualdade moldam trajetórias, mas também como a literatura pode ser uma forma de resistência e cura.

Puro, de Nara Vidal

Na década de 1930, Santa Graça, em Minas Gerais, poderia ser um vilarejo idílico, “referência de virtude e limpeza no território nacional” — e é nisso que alguns de seus habitantes estão tentando transformá-la. O casarão onde vivem Lázaro, menino de seus quinze anos, e as três velhas que o adotaram quando bebê abandonado é o epicentro desta narrativa que toma rumos cada vez mais surpreendentes. Neste novo romance, Nara Vidal explora, com a maturidade de quem está acostumada a tecer histórias em diversos gêneros, temas duros, sem ter medo de colocar no papel as ações e os pensamentos mais desafiadores de seus personagens.

Com uma prosa direta, Nara Vidal envolve os personagens no contexto histórico do fortalecimento do movimento eugenista brasileiro, num romance inovador e, acima de tudo, corajoso.

Clube de Leitura Escambo Cultural

Centro cultural em Sulacap, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Uma vez por mês ele recebe a roda de conversa do clube de leitura.

Leituras 2026

Maio – A palavra que resta, de Stênio Gardel

Abril – Redemoinho em dia quente, de JArid Arraes

Março – O som do rugido da onça, de Micheliny Verunschk.

Sugestões para Junho

📚 Estante

Material

Milton Hatoum, autor de Dois Irmãos. Entrevista ao Roda Viva em 08/12/2025. YouTube, 1h19m. Vídeo.

Socorro Acioli, autora de A Cabeça do Santo. Rntrevista à Eliana Alves Cruz no programa Trilha das Letras. Publicado em 06/11/2024. YouTube, 29m29s. Vídeo

Leitura

Andei lendo debates sobre a identidade latino-americana de brasileiros. Eu, como moradora da Zona Oeste, entendo bem esse movimento tô dentro – tô fora: quando se fala em “carioca”, fala-se de quem? Depende de quem fala, para, quando e de onde fala. ___

Nós, latino-americanos

Somos todos irmãos mas não porque tenhamos a mesma mãe e o mesmo pai: temos é o mesmo parceiro que nos trai. Somos todos irmãos não porque dividamos o mesmo teto e a mesma mesa: divisamos a mesma espada sobre nossa cabeça.

Somos todos irmãos não porque tenhamos o mesmo braço, o mesmo sobrenome: temos um mesmo trajeto de sanha e fome. Somos todos irmãos não porque seja o mesmo sangue que no corpo levamos: o que é o mesmo é o modo como o derramamos.

Ferreira Gullar. In: Barulhos (1989)

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Latino – Disstantes

https://song.link/y/W9LfkZGHtEY Vídeo. Apresentação ao vivo. 2:55


vídeos

  • Não foi só música. Canal @valerumlivro. Tatiany Leite mostra livros que dialogam com a apresentação de Bad Bunny no Super Cumbuca.

  • série América Latina. Canal @Normose_

América Latina é uma farsa

América Latina é invenção do Silvio Santos

#música

Rosa do deserto depois da poda. Os galhos da base começaram a encorpar.

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Rosa do deserto