Bebendo na fonte do Pajeú das Flores:

“Tem que ser nordestino pra saber/dar valor ao Nordeste brasileiro” — Sebastião da Silva e Waldir Teles [PARTE 2]

Essa é a segunda parte da análise, caso não tenha lido a primeira pode encontrá-la AQUI

ESTROFE 02

Tem no mínimo que ser “nordestizado” Para saber o que é um caritó Remedar assobio de mocó Cortar lenha de foice e de machado Tratar bem de bezerro caruado Misturar jitirana e marmeleiro Fazer chá com a flor de sabugueiro Para a febre não reaparecer Tem que ser nordestino pra saber Dar valor ao Nordeste brasileiro

ANÁLISE:

Caritó tem vários significados, nesse caso eu acho que o poeta está se referindo a prateleiras rústicas que eram construídas na própria parede da casa, como nichos pra guardar objetos construídos de “alvenaria”.

Foto colorida de uma parede de uma casa de barro com vários objetos decorativos em prateleiras distribuidas por toda sua extensão, com destaque para duas prateleira como nichos de um armário construidas na própria parede

• O mocó (Kerodon rupestris) é um pequeno roedor nativo da caatinga, que vocaliza com sons curtos e agudos que lembra um piado ou assovio. Esse chamado pode ser imitado (remedado) para atrair esses ANIMAIS.

Bezerro caruado é um animal doente, refere-se geralmente a inflamação nos membros e juntas (mal caruara, mal da junta inchada ou poliartrite infecciosa), resultante da não ingestão do colostro nos primeiros dias após nascido, enfraquecendo seu sistema imunológico ou ainda, a falta da cura do umbigo, que é uma porta de entrada para microorganismos, assim deixando o animal suscetível a essas e outras doenças.

• A jitirana (Ipomoea cairica), o marmeleiro-do-mato (Croton sonderianus) e o sabugueiro (Sambucus nigra) são plantas medicinais encontradas na caatinga.

Foto coloridade uma trepadeira com pequenas flores roxas Jitirana