Bebendo na fonte do Pajeú das Flores:
“Tem que ser nordestino pra saber/dar valor ao Nordeste brasileiro” — Sebastião da Silva e Waldir Teles [PARTE 4]
Essa é a quarta parte da análise, caso não tenha lido as anteriores:
1ª estrofe 2ª estrofe 3ª estrofe
ESTROFE 04
Nordestino é de raça curiosa Compreende o amiudar do galo Cedo aprende a fazer cuscuz de ralo Colher fruta de palma saborosa Separar manga espada, manga rosa Curar dores com sebo de carneiro Muito crente chamar de curandeiro E roubar santo na seca pra chover Tem que ser nordestino pra saber Dar valor ao Nordeste brasileiro
ANÁLISE:
• Amiúde pode significar “Que ocorre de maneira repetida; frequente”, como Zé Ramalho também usa em “Chão de Giz” pra se referir aos jornais de folha, então, o amiudar do galo pode-se compreender como o canto rotineiro de toda manhã.
• Cuscuz de ralo é aquele que é feito do milho ralado na hora.

• A mais famosa fruta de palma é conhecida como figo-da-índia (Opuntia ficus-indica)

• O sebo ou gordura dos ovinos era utilizada para tratamento de machucados e dores. Se priorizava a obtenção da gordura visceral, sobretudo a da glândula adrenal, responsável pela produção do cortisol, que por sua vez tem função anti-inflamatória, regulando o sistema imunológico, então talvez daí venha o princípio ativo. Os lipídios por si só podem interagir com as membranas celulares dos microorganismos impedindo sua proliferação, além de proteger ferimentos do contato com o ar e sujidades e hidratar a pele, por isso usada até hoje como medicamento e cosmético.
• Uma tradição antiga de roubar uma imagem de São José, o “padroeiro da chuva”, até o fim do período chuvoso, para que o santo não abandonasse os sertanejos e a colheita fosse produtiva, depois sendo devolvido ao seu local original.

Até a próxima estrofe!