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    <title>De tão poeta morreu pobre</title>
    <link>https://lacra.ia.br/vitu/</link>
    <description>Olá, navegante! Eu sou um vitu, aqui posto textos duvidosos e poemas de rimas fracas de autoria própria e também verdadeiras obras primas dos grandes mestres. </description>
    <pubDate>Sun, 25 Oct 2026 03:54:23 +0000</pubDate>
    <item>
      <title>Bebendo na fonte do Pajeú das Flores II:</title>
      <link>https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-ii-mcwx</link>
      <description>&lt;![CDATA[“Quando o ano de inverno é controlado/muda tudo na vida do sertão.” — Valdir Teles &amp; Zé Fernandes [PARTE 2]&#xA;&#xA;Essa é a segunda parte da análise, caso não tenha lido a anterior:&#xA;&#xA;1ª estrofe&#xA;&#xA;ESTROFES 02 e 03:&#xA;&#xA;O processo de raro aquecimento&#xA;Cria nuvens compactas do espaço &#xA;Uma espessa camada de mormaço &#xA;Sai da terra e invade o firmamento&#xA;O relâmpago executa um movimento &#xA;Cujo raio transpõe a imensidão&#xA;E Jesus desce escanchado num trovão&#xA;Para ver como o chão está molhado &#xA;Quando o ano de inverno é controlado &#xA;Muda tudo na vida do sertão&#xA;&#xA;Quando o mês de janeiro muda o clima&#xA;O verão vai embora, a chuva volta&#xA;Num pedaço de nuvem que Deus solta &#xA;A riqueza dos pobres cai de cima&#xA;O matuto da roça se anima&#xA;Pega um caco de enxada e cava o chão&#xA;Vai de novo fazer a plantação&#xA;Que a empresa do pobre é seu roçado&#xA;Quando o ano de inverno é controlado&#xA;Muda tudo na vida do sertão &#xA;&#xA;ANÁLISE:&#xA;&#xA;• Escanchado: Nessas duas estrofes há apenas belíssimas metáforas para ilustrar como o evento do inverno é percebido pelo sertanejo, tanto de maneira empírica da observação dos fenômenos da natureza, na espiritualidade associada ao evento e na importância “social” para as famílias que sobrevivem da terra. Talvez, a única coisa que seja mais difícil de entender para quem não é nordestino/do interior é o termo escanchado que significa estar sentado de pernas abertas ao redor do assento, ou montado, como se monta no cavalo. &#xA;&#xA;ESTROFE 04:&#xA;&#xA;A novilha no cio convida o touro&#xA;Pra fazer a primeira intimidade&#xA;O boi manso com sede e com saudade&#xA;Reencontra o antigo bebedouro &#xA;O açude inaugura o sangradouro &#xA;Com a água que sobra do porão&#xA;E o riacho se arrasta pelo chão &#xA;Carregando a sujeira do passado&#xA;Quando o ano de inverno é controlado &#xA;Muda tudo na vida do sertão&#xA;&#xA;• A novilha no cio convida o touro pra fazer a primeira intimidade: dá-se o nome de novilha a vaca jovem, que nunca ficou prenhe, então essa será a &#34;primeira intimidade&#34; dela. Já touro é a nomenclatura dada ao animal macho adulto selecionado para a reprodução. O uso da expressão “convidar” nesse contexto é perfeita, pois aceitar a monta (como se diz tecnicamente) é o principal sintoma de estro (o mesmo que cio), ou seja, quando a vaca permite que o touro a monte é porque aquele é o momento certo do ciclo estral para que o óvulo, que será liberado em algumas horas, seja fecundado. &#xA;&#xA;• Boi manso: por outro lado, o termo boi é dado ao animal castrado, destinado a geralmente a engorda ou ao trabalho no campo. Com a remoção dos testículos, é reduzida a produção da testosterona, de modo que o animal não tendo a necessidade/interesse de competir pela fêmea se torna menos agressivo e menos territorialista, ficando mais dócil do que um animal inteiro (não-castrado).&#xA;&#xA;• Porão: é a parte mais funda do reservatório, a que mais demora a secar no período seco. &#xA;&#xA;• E o riacho se arrasta pelo chão carregando a sujeira do passado: mais uma vez o poeta compõe de maneira que faz sentido literal, com a água arrastando o entulho acumulado em seu caminho, como também faz sentido figurado, com a época das chuvas apaziguando as mágoas da seca que agora ficaram para trás. &#xA;&#xA;]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p><strong>“Quando o ano de inverno é controlado/muda tudo na vida do sertão.” — Valdir Teles &amp; Zé Fernandes [PARTE 2]</strong></p>

<p><em>Essa é a segunda parte da análise, caso não tenha lido a anterior:</em></p>

<p><a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-ii" rel="nofollow">1ª estrofe</a></p>

<p><strong>ESTROFES 02 e 03:</strong></p>

<p>O processo de raro aquecimento
Cria nuvens compactas do espaço
Uma espessa camada de mormaço
Sai da terra e invade o firmamento
O relâmpago executa um movimento
Cujo raio transpõe a imensidão
E Jesus desce <strong>escanchado</strong> num trovão
Para ver como o chão está molhado
Quando o ano de inverno é controlado
Muda tudo na vida do sertão</p>

<p>Quando o mês de janeiro muda o clima
O verão vai embora, a chuva volta
Num pedaço de nuvem que Deus solta
A riqueza dos pobres cai de cima
O matuto da roça se anima
Pega um caco de enxada e cava o chão
Vai de novo fazer a plantação
Que a empresa do pobre é seu roçado
Quando o ano de inverno é controlado
Muda tudo na vida do sertão</p>

<p><strong>ANÁLISE:</strong></p>

<p>• <strong>Escanchado</strong>: Nessas duas estrofes há apenas belíssimas metáforas para ilustrar como o evento do inverno é percebido pelo sertanejo, tanto de maneira empírica da observação dos fenômenos da natureza, na espiritualidade associada ao evento e na importância “social” para as famílias que sobrevivem da terra. Talvez, a única coisa que seja mais difícil de entender para quem não é nordestino/do interior é o termo escanchado que significa estar sentado de pernas abertas ao redor do assento, ou montado, como se monta no cavalo.</p>

<p><strong>ESTROFE 04:</strong></p>

<p><strong>A novilha no cio convida o touro</strong>
Pra fazer a <strong>primeira intimidade</strong>
O <strong>boi manso</strong> com sede e com saudade
Reencontra o antigo bebedouro
O açude inaugura o sangradouro
Com a água que sobra do <strong>porão</strong>
<strong>E o riacho se arrasta pelo chão
Carregando a sujeira do passado</strong>
Quando o ano de inverno é controlado
Muda tudo na vida do sertão</p>

<p>• <strong>A novilha no cio convida o touro pra fazer a primeira intimidade</strong>: dá-se o nome de novilha a vaca jovem, que nunca ficou prenhe, então essa será a “primeira intimidade” dela. Já touro é a nomenclatura dada ao animal macho adulto selecionado para a reprodução. O uso da expressão “convidar” nesse contexto é perfeita, pois aceitar a monta (como se diz tecnicamente) é o principal sintoma de estro (o mesmo que cio), ou seja, quando a vaca permite que o touro a monte é porque aquele é o momento certo do ciclo estral para que o óvulo, que será liberado em algumas horas, seja fecundado.</p>

<p>• <strong>Boi manso</strong>: por outro lado, o termo boi é dado ao animal castrado, destinado a geralmente a engorda ou ao trabalho no campo. Com a remoção dos testículos, é reduzida a produção da testosterona, de modo que o animal não tendo a necessidade/interesse de competir pela fêmea se torna menos agressivo e menos territorialista, ficando mais dócil do que um animal inteiro (não-castrado).</p>

<p>• <strong>Porão</strong>: é a parte mais funda do reservatório, a que mais demora a secar no período seco.</p>

<p>• <strong>E o riacho se arrasta pelo chão carregando a sujeira do passado</strong>: mais uma vez o poeta compõe de maneira que faz sentido literal, com a água arrastando o entulho acumulado em seu caminho, como também faz sentido figurado, com a época das chuvas apaziguando as mágoas da seca que agora ficaram para trás.</p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-ii-mcwx</guid>
      <pubDate>Wed, 23 Sep 2026 21:18:07 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>No fundo, no fundo...</title>
      <link>https://lacra.ia.br/vitu/no-fundo-no-fundo</link>
      <description>&lt;![CDATA[Eu não sou minhas memórias ruins, mesmo que as relembre constantemente.&#xA;Eu não sou minhas más escolhas, porém as priorizei na maioria das vezes.&#xA;Eu não sou meus erros, que superam em muito o número de vezes em que acertei.&#xA;Eu não sou os meus medos, ainda que reúna inúmeros.&#xA;Eu não sou minhas mentiras, embora as tenha jurado.&#xA;Eu não sou minhas lágrimas, apesar de derramá-las silenciosamente toda noite.&#xA;Eu não sou minha autopiedade, mas me apiedo enormemente de mim mesmo.&#xA;Eu não sou minha desesperança, embora preveja que nada mais vai dar certo.&#xA;Eu não sou o que deixei de fazer, porém, fiz muito pouco. &#xA;Eu não sou minhas desistências, apesar de ter conquistado quase nada.&#xA;Eu não sou minha covardia, mas nunca fui corajoso.&#xA;Eu não sou minha solidão, com a qual me abraço.&#xA;Eu sou o que me resta. &#xA;]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Eu não sou minhas memórias ruins, mesmo que as relembre constantemente.
Eu não sou minhas más escolhas, porém as priorizei na maioria das vezes.
Eu não sou meus erros, que superam em muito o número de vezes em que acertei.
Eu não sou os meus medos, ainda que reúna inúmeros.
Eu não sou minhas mentiras, embora as tenha jurado.
Eu não sou minhas lágrimas, apesar de derramá-las silenciosamente toda noite.
Eu não sou minha autopiedade, mas me apiedo enormemente de mim mesmo.
Eu não sou minha desesperança, embora preveja que nada mais vai dar certo.
Eu não sou o que deixei de fazer, porém, fiz muito pouco.
Eu não sou minhas desistências, apesar de ter conquistado quase nada.
Eu não sou minha covardia, mas nunca fui corajoso.
Eu não sou minha solidão, com a qual me abraço.
Eu sou o que me resta.</p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://lacra.ia.br/vitu/no-fundo-no-fundo</guid>
      <pubDate>Tue, 15 Sep 2026 21:06:08 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>A pior pessoa do fediverso</title>
      <link>https://lacra.ia.br/vitu/a-pior-pessoa-do-fediverso</link>
      <description>&lt;![CDATA[Uso browser do leão&#xA;Não descrevo minhas fotos &#xA;Nas enquetes não voto&#xA;Nem boosto arrecadação&#xA;&#xA;Peço emoji do Minhocão &#xA;Em pleno feriado &#xA;Sua distro desacato &#xA;Sua ovelha eu emborco&#xA;O CW não coloco &#xA;Não curto foto do seu gato&#xA;&#xA;Na quinta não peço bis&#xA;Nunca assisti Bacurau&#xA;Com tangerina passo mal&#xA;Se vir uma bolha eu furo&#xA;Só vivo em cima do muro&#xA;E sou inimigo do carnaval&#xA;&#xA;Nunca gostei de Vitus, Danis e Guis &#xA;Tomo banho coletivo&#xA;Posto clavícula sem motivo&#xA;Gosto muito mais do Xis&#xA;&#xA;(esse poema é completamente fantasioso, qualquer semelhança com a realidade é coincidência, nenhuma tangerina foi ferida durante o processo)]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Uso browser do leão
Não descrevo minhas fotos
Nas enquetes não voto
Nem boosto arrecadação</p>

<p>Peço emoji do Minhocão
Em pleno feriado
Sua distro desacato
Sua ovelha eu emborco
O CW não coloco
Não curto foto do seu gato</p>

<p>Na quinta não peço bis
Nunca assisti Bacurau
Com tangerina passo mal
Se vir uma bolha eu furo
Só vivo em cima do muro
E sou inimigo do carnaval</p>

<p>Nunca gostei de Vitus, Danis e Guis
Tomo banho coletivo
Posto clavícula sem motivo
Gosto muito mais do Xis</p>

<p>(esse poema é completamente fantasioso, qualquer semelhança com a realidade é coincidência, nenhuma tangerina foi ferida durante o processo)</p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://lacra.ia.br/vitu/a-pior-pessoa-do-fediverso</guid>
      <pubDate>Fri, 11 Sep 2026 19:35:30 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Oração para te ver sorrindo </title>
      <link>https://lacra.ia.br/vitu/oracao-para-te-ver-sorrindo</link>
      <description>&lt;![CDATA[Torço para que suas coisinhas deem certo&#xA;Que chegue logo o vale-refeição&#xA;Que o compromisso seja perto &#xA;Que seja um e-mail a reunião.&#xA;&#xA;Que o feriado caia em dia útil&#xA;Que não tenha fila no banco&#xA;Que aquela conversa seja algo fútil &#xA;Que não caia molho no seu vestido branco&#xA;&#xA;Que saia novo single da Madonna&#xA;Que alguém já tenha feito o café&#xA;Que um amigo ofereça carona&#xA;Quando achou que ia voltar a pé&#xA;&#xA;Que a festa acabe cedo&#xA;Que tenha lugar pra sentar&#xA;Que possa viver sem medo&#xA;Que se permita sonhar&#xA;&#xA;Que seja leve seu fardo&#xA;Que seja branda sua lida&#xA;Que o que te pertence seja dado &#xA;Que seja feliz sua vida]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Torço para que suas coisinhas deem certo
Que chegue logo o vale-refeição
Que o compromisso seja perto
Que seja um e-mail a reunião.</p>

<p>Que o feriado caia em dia útil
Que não tenha fila no banco
Que aquela conversa seja algo fútil
Que não caia molho no seu vestido branco</p>

<p>Que saia novo single da Madonna
Que alguém já tenha feito o café
Que um amigo ofereça carona
Quando achou que ia voltar a pé</p>

<p>Que a festa acabe cedo
Que tenha lugar pra sentar
Que possa viver sem medo
Que se permita sonhar</p>

<p>Que seja leve seu fardo
Que seja branda sua lida
Que o que te pertence seja dado
Que seja feliz sua vida</p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://lacra.ia.br/vitu/oracao-para-te-ver-sorrindo</guid>
      <pubDate>Wed, 09 Sep 2026 20:57:50 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Bebendo na fonte do Pajeú das Flores II:</title>
      <link>https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-ii</link>
      <description>&lt;![CDATA[“Quando o ano de inverno é controlado/muda tudo na vida do sertão.” — Valdir Teles &amp; Zé Fernandes [PARTE 1]&#xA;&#xA;Obs.: A interpretação é do meu ponto de vista e de acordo com minha pesquisa. Algumas coisas são óbvias e eu vou ilustrar mesmo assim, e outras vão passar, mas, se ficar alguma dúvida, pode me perguntar, se quiser.&#xA;&#xA;Antes de começar, precisamos conversar sobre o título/mote e a questão do inverno nordestino: por aqui, de uma maneira geral, dá-se o nome de inverno ao período do ano em que se concentram as chuvas, sendo esse o primeiro semestre: generalizamos assim, de janeiro a junho, às vezes vai além, na maioria das vezes fica aquém. Meses que, para o resto do hemisfério sul, são, na verdade, de verão (ou verão e outono, com o inverno começando só no fim do mês junino, se você for desses). Então, quando se usa a expressão “ano de inverno controlado” significa que, no ano da graça em questão, choveu mais do que a média esperada para os primeiros seis meses no mínimo. Agora as estrofes. &#xA;&#xA;ESTROFE 01&#xA;&#xA;No inverno o sertão tem mais futuro&#xA;Ninguém quer ir embora nem na peia &#xA;Toda noite um riacho bota cheia&#xA;Toda tarde o nascente fica escuro&#xA;O maxixe amadurece no monturo&#xA;Melancia faz lama pelo chão &#xA;Baixa o preço do saco de feijão&#xA;Milho vira ração de engordar gado&#xA;Quando o ano de inverno é controlado&#xA;Muda tudo na vida do sertão&#xA;&#xA;ANÁLISE:&#xA;&#xA;• O maxixe amadurece no monturo: maxixe (Cucumis anguria) é uma hortaliça trepadeira cujo fruto é comestível quando verde (quando maduro tem gosto amargo), mas que, no caso desse verso, está amadurecendo (ou seja, não foi colhido ainda devido à fartura de alimentos proporcionada pelo período chuvoso) no monturo: uma técnica de compostagem que consistem em acumular matéria orgânica, como restos culturais, folhas que caem das árvores, mato cortado, AMONTOADOS num determinado espaço do terreno. O mesmo se reflete no verso seguinte, com as melancias fazendo lama pelo chão, que pode ser tanto figurativamente no sentido que tem muitas frutas, ou literalmente criando lama com a água de frutos que não foram consumindo e acabaram se partindo, encharcando a terra. Ambos os vegetais são da mesma família, a das cucurbitáceas, que precisam de bastante água para crescer e produzir, o que mostra que a escolha do poeta não foi aleatória, faz sentido com o contexto proposto no mote. &#xA;&#xA;Foto colorida de uma planta de maxixe com fruto, parece um pequeno pepino verde-claro com alguns espinhos. &#xA;&#xA;• Milho vira ração de engordar gado: o milho é um dos principais ingredientes energéticos das dietas animais, entretanto, é um importante alimento para os humanos também. Assim, nos períodos de escassez (ou entressafra) os preços &#34;naturalmente&#34; se elevam e o cereal é priorizado para o nosso consumo, enquanto aos animais, além da forragem (capim fornecido fresco ou conservado, ou o que eles conseguirem encontrar na pastagem nativa) que compõe maior parte da dieta, são apresentadas alternativas que não possuam competição com a alimentação humana como sorgo, polpa cítrica, resíduos de cervejaria, etc. Com o retorno da produção, o milho então pode voltar a alimentar a bicharada de forma mais consistente. &#xA;]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p><strong>“Quando o ano de inverno é controlado/muda tudo na vida do sertão.” — Valdir Teles &amp; Zé Fernandes [PARTE 1]</strong></p>

<p><em>Obs.: A interpretação é do meu ponto de vista e de acordo com minha pesquisa. Algumas coisas são óbvias e eu vou ilustrar mesmo assim, e outras vão passar, mas, se ficar alguma dúvida, pode me perguntar, se quiser.</em></p>

<p>Antes de começar, precisamos conversar sobre o título/mote e a questão do inverno nordestino: por aqui, de uma maneira geral, dá-se o nome de inverno ao período do ano em que se concentram as chuvas, sendo esse o <strong>primeiro semestre</strong>: generalizamos assim, de janeiro a junho, às vezes vai além, na maioria das vezes fica aquém. Meses que, para o resto do hemisfério sul, são, na verdade, de verão (ou verão e outono, com o inverno começando só no fim do mês junino, se você for desses). Então, quando se usa a expressão <em>“ano de inverno controlado”</em> significa que, no ano da graça em questão, choveu mais do que a média esperada para os primeiros seis meses no mínimo. Agora as estrofes.</p>

<p><strong>ESTROFE 01</strong></p>

<p>No inverno o sertão tem mais futuro
Ninguém quer ir embora nem na peia
Toda noite um riacho bota cheia
Toda tarde o nascente fica escuro
<strong>O maxixe amadurece no monturo</strong>
Melancia faz lama pelo chão
Baixa o preço do saco de feijão
<strong>Milho vira ração de engordar gado</strong>
Quando o ano de inverno é controlado
Muda tudo na vida do sertão</p>

<p><strong>ANÁLISE:</strong></p>

<p>• <strong>O maxixe amadurece no monturo:</strong> maxixe (<em>Cucumis anguria</em>) é uma hortaliça trepadeira cujo fruto é comestível quando verde (quando maduro tem gosto amargo), mas que, no caso desse verso, está amadurecendo (ou seja, não foi colhido ainda devido à fartura de alimentos proporcionada pelo período chuvoso) no monturo: uma técnica de compostagem que consistem em acumular matéria orgânica, como restos culturais, folhas que caem das árvores, mato cortado, AMONTOADOS num determinado espaço do terreno. O mesmo se reflete no verso seguinte, com as melancias fazendo lama pelo chão, que pode ser tanto figurativamente no sentido que tem muitas frutas, ou literalmente criando lama com a água de frutos que não foram consumindo e acabaram se partindo, encharcando a terra. Ambos os vegetais são da mesma família, a das cucurbitáceas, que precisam de bastante água para crescer e produzir, o que mostra que a escolha do poeta não foi aleatória, faz sentido com o contexto proposto no mote.</p>

<p><img src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/6f/Cucumis_anguria_.JPG?utm_source=pt.wikipedia.org&amp;utm_campaign=index&amp;utm_content=original" alt="Foto colorida de uma planta de maxixe com fruto, parece um pequeno pepino verde-claro com alguns espinhos."></p>

<p>• <strong>Milho vira ração de engordar gado:</strong> o milho é um dos principais ingredientes energéticos das dietas animais, entretanto, é um importante alimento para os humanos também. Assim, nos períodos de escassez (ou entressafra) os preços “naturalmente” se elevam e o cereal é priorizado para o nosso consumo, enquanto aos animais, além da forragem (capim fornecido fresco ou conservado, ou o que eles conseguirem encontrar na pastagem nativa) que compõe maior parte da dieta, são apresentadas alternativas que não possuam competição com a alimentação humana como sorgo, polpa cítrica, resíduos de cervejaria, etc. Com o retorno da produção, o milho então pode voltar a alimentar a bicharada de forma mais consistente.</p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-ii</guid>
      <pubDate>Tue, 08 Sep 2026 13:15:15 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Memórias de abraços que não machucam </title>
      <link>https://lacra.ia.br/vitu/memorias-de-abracos-que-nao-machucam</link>
      <description>&lt;![CDATA[Vez ou outra, de surpresa&#xA;Quase sempre sem querer&#xA;Acho uma réstia de beleza&#xA;Um vestígio de você&#xA;&#xA;Numa música bonita&#xA;Que eu sei que adora&#xA;Que o “aleatório” não hesita&#xA;De tocar toda hora&#xA;&#xA;Num sonho bom, se tiver sorte&#xA;Que invade minha mente&#xA;Até parece que o meu córtex&#xA;Não superou a gente&#xA;&#xA;Numa fotografia esquecida&#xA;De que fui feliz a prova&#xA;Era apenas uma em nossas vidas&#xA;Nunca mais haverá nova&#xA;&#xA;Até que por fim&#xA;Em versos que não mais seus&#xA;Mas talvez seja bom ter algo assim&#xA;Tão difícil de dizer adeus&#xA;]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Vez ou outra, de surpresa
Quase sempre sem querer
Acho uma réstia de beleza
Um vestígio de você</p>

<p>Numa música bonita
Que eu sei que adora
Que o “aleatório” não hesita
De tocar toda hora</p>

<p>Num sonho bom, se tiver sorte
Que invade minha mente
Até parece que o meu córtex
Não superou a gente</p>

<p>Numa fotografia esquecida
De que fui feliz a prova
Era apenas uma em nossas vidas
Nunca mais haverá nova</p>

<p>Até que por fim
Em versos que não mais seus
Mas talvez seja bom ter algo assim
Tão difícil de dizer adeus</p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://lacra.ia.br/vitu/memorias-de-abracos-que-nao-machucam</guid>
      <pubDate>Tue, 18 Aug 2026 21:29:25 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Vá ali pra vovô</title>
      <link>https://lacra.ia.br/vitu/va-ali-pra-vovo</link>
      <description>&lt;![CDATA[Esse poema foi feito com base nas propostas do perfil @arteDoDia que diariamente posta uma palavra para inspirar a arte da galera na tag #arteDoDia. Eu juntei todas (acho) as que saíram até agora nesse texto&#xA;&#xA;Vou lhe ditar uma lista&#xA;Do que eu quero do mercado&#xA;Não vá fazer gambiarra&#xA;Leve tudo anotado&#xA;Que eu faça você voltar&#xA;Se tiver trazido errado &#xA;&#xA;Cuidado mode os carros&#xA;Ande sempre na calçada&#xA;Quando chegar na bodega&#xA;Não se atrapalhe com nada&#xA;Diga que fui eu quem mandei&#xA;Deixar a compra anotada&#xA;&#xA;Quero pano pra vestido&#xA;De xita descolorida&#xA;Uma carrada e meia&#xA;De pedra de giz polida&#xA;E um par de óculos de grau&#xA;Pra minha cabra margarida&#xA;&#xA;Daquele biscoito raiva&#xA;Conte pra mim um milhão&#xA;Uns vinte e cinco fardos&#xA;De chá de dente-de-leão&#xA;E procure lá a oitava porca&#xA;De uma roda de avião&#xA;&#xA;Só coisinha simples&#xA;Vá ligeiro, fique com o troco&#xA;Ah, quase ia esquecendo&#xA;Essa aqui foi por pouco&#xA;Do galão de combustível&#xA;Pro isqueiro do cachorro&#xA;&#xA;]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p><em>Esse poema foi feito com base nas propostas do perfil <a href="https://masto.donte.com.br/@arteDoDia" rel="nofollow">@arteDoDia</a> que diariamente posta uma palavra para inspirar a arte da galera na tag <a href="/vitu/tag:arteDoDia" class="hashtag" rel="nofollow"><span>#</span><span class="p-category">arteDoDia</span></a>. Eu juntei todas (acho) as que saíram até agora nesse texto</em></p>

<p>Vou lhe ditar uma lista
Do que eu quero do <strong>mercado</strong>
Não vá fazer <strong>gambiarra</strong>
Leve tudo anotado
Que eu faça você voltar
Se tiver trazido errado</p>

<p>Cuidado mode os carros
Ande sempre na <strong>calçada</strong>
Quando chegar na bodega
Não se atrapalhe com nada
Diga que fui eu quem mandei
Deixar a compra anotada</p>

<p>Quero pano pra <strong>vestido</strong>
De xita descolorida
Uma carrada e meia
De pedra de giz polida
E um par de óculos de grau
Pra minha <strong>cabra</strong> margarida</p>

<p>Daquele biscoito <strong>raiva</strong>
Conte pra mim um milhão
Uns vinte e cinco fardos
De chá de <strong>dente-de-leão</strong>
E procure lá a oitava porca
De uma roda de <strong>avião</strong></p>

<p>Só coisinha simples
Vá ligeiro, fique com o troco
Ah, quase ia esquecendo
Essa aqui foi por pouco
Do galão de combustível
Pro <strong>isqueiro</strong> do <strong>cachorro</strong></p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://lacra.ia.br/vitu/va-ali-pra-vovo</guid>
      <pubDate>Wed, 22 Jul 2026 18:59:52 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Bebendo na fonte do Pajeú das Flores:</title>
      <link>https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-184v</link>
      <description>&lt;![CDATA[“Tem que ser nordestino pra saber/dar valor ao Nordeste brasileiro” — Sebastião da Silva e Waldir Teles [PARTE FINAL]&#xA;&#xA;Essa é a sétima e última parte da análise, caso não tenha lido as anteriores:&#xA; &#xA;1ª estrofe&#xA;2ª estrofe&#xA;3ª estrofe&#xA;4ª estrofe&#xA;5ª estrofe&#xA;6ª estrofe&#xA;&#xA;ESTROFE 07:&#xA;&#xA;Nordestino conhece cabeçote&#xA;Peba, fojo, coivara e roçadeira&#xA;A medida do cabo da peixeira&#xA;Cascavel chocalhando no serrote&#xA;Admira a cantiga do capote&#xA;Exclamando &#34;tô fraco!&#34; no terreiro&#xA;João de barro pra ele é engenheiro&#xA;O carão é profeta e tem poder&#xA;Tem que ser nordestino pra saber &#xA;Dar valor o nordeste brasileiro&#xA;&#xA;ANÁLISE:&#xA;&#xA;• Cabeçote é um cupinzeiro, um ninho de cupins, aqueles montinhos de terra que ficam sobre a pastagem.&#xA;&#xA;• O Peba (Euphractus sexcinctus) ou tatupeba é um tatu nativo da América do Sul, muitas vezes consumido pelos sertanejos, sendo o fojo uma espécie de armadilha usada para sua captura, é basicamente tábua sobre um buraco na terra que cede com o peso do anima, daí também vem a expressão &#34;Mais falso do que tábua de fojo&#34;. Ainda no mesmo verso o poeta cita a coivara que é uma técnica agrícola que consiste em limpar um terreno para o plantio, e o material vegetal original é organizado num monte (a coivara propriamente dita), deixado para secar e depois queimado. &#xA;&#xA;Foto colorida de um tatu de perfil numa vala escavada de barro vermelho &#xA;&#xA;• Capote é a mesma Galinha-d&#39;angola (Numida meleagris), as vezes também chamado de guiné. &#xA;&#xA;• Carão (Aramus guarauna) é uma ave da família das garças. A cultura popular acredita que quando o carão canta ele está anunciando que há chuva chegando e/ou que o período chuvoso vai ser de elevada precipitação. Biologicamente, as aves possuem mecanismos de percepção de modificações atmosféricas e o canto pode funcionar como alerta aos outros indivíduos que as condições meteorológicas estão mudando e eles precisam encontrar abrigo. Ainda, os animais geralmente sincronizam seus períodos reprodutivos com épocas do ano de maior fartura alimentar, que é o caso do época das chuvas no nordeste, assim, o canto também pode fazer parte de um ritual de corte dos machos para atrair fêmeas a reprodução. &#xA;&#xA;Foto colorida de uma ave de grande porte, semelhante a uma garça, com penas marrons e bico fino e longo, sobre um corpo de água raso &#xA;&#xA;ESTROFE 08:&#xA;&#xA;Adorar juazeiro e petrolina&#xA;As carrancas do rio São Francisco&#xA;Perseguir tejuaçu arisco &#xA;Pentear o pitó com vaselina&#xA;Acertar de bodoque na cravina&#xA;Limpar mato pisando em formigueiro&#xA;Se você é sulista ou estrangeiro&#xA;Venha cá comprovar e aprender&#xA;Tem que ser nordestino pra saber &#xA;Dar valor o nordeste brasileiro&#xA;&#xA;ANÁLISE:&#xA;&#xA;• As Carrancas são esculturas de madeira geralmente representando uma cabeça animalesca e monstruosa, usadas nas proas das embarcações para espantar maus espíritos das águas, ou ainda como ornamentação.&#xA;&#xA;Foto colorida de uma carranca, uma escultura de madeira de uma cabeça de monstro, na proa de um barco de pequeno porte que está ancorado na beira do rio &#xA;&#xA;• Tejuaçu ou teiú, são lagartos do gênero Tupinambis, animais bastante defensivos. &#xA;&#xA;Foto colorida de um grande lagarto com escamas de padronagem branca e preta em um ambiente externo de pastagem nativa rasteira &#xA;&#xA;• Pitó é o penteado também chamado de coque.&#xA;&#xA;• Cravina ou tico-tico rei (Coryphospingus cucullatus) é um passarinho comum da fauna nordestina. &#xA;&#xA;Foto colorida de uma pequena ave pousada num galho, ela tem plumagem cinza com um topete vermelho no topo da cabeça &#xA;&#xA;FIM&#xA;Até o próximo poema!!!! ]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p><strong>“Tem que ser nordestino pra saber/dar valor ao Nordeste brasileiro” — Sebastião da Silva e Waldir Teles [PARTE FINAL]</strong></p>

<p><em>Essa é a sétima e última parte da análise, caso não tenha lido as anteriores:</em></p>

<p><a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores" rel="nofollow">1ª estrofe</a>
<a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-b583" rel="nofollow">2ª estrofe</a>
<a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-dkvd" rel="nofollow">3ª estrofe</a>
<a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-b2wp" rel="nofollow">4ª estrofe</a>
<a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-q582" rel="nofollow">5ª estrofe</a>
<a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-rvnr" rel="nofollow">6ª estrofe</a></p>

<p><strong>ESTROFE 07:</strong></p>

<p>Nordestino conhece <strong>cabeçote</strong>
<strong>Peba</strong>, <strong>fojo</strong>, <strong>coivara</strong> e roçadeira
A medida do cabo da peixeira
Cascavel chocalhando no serrote
Admira a cantiga do <strong>capote</strong>
Exclamando “tô fraco!” no terreiro
João de barro pra ele é engenheiro
O <strong>carão</strong> é profeta e tem poder
Tem que ser nordestino pra saber
Dar valor o nordeste brasileiro</p>

<p><strong>ANÁLISE:</strong></p>

<p>• <strong>Cabeçote</strong> é um cupinzeiro, um ninho de cupins, aqueles montinhos de terra que ficam sobre a pastagem.</p>

<p>• O <strong>Peba</strong> (<em>Euphractus sexcinctus</em>) ou tatupeba é um tatu nativo da América do Sul, muitas vezes consumido pelos sertanejos, sendo o <strong>fojo</strong> uma espécie de armadilha usada para sua captura, é basicamente tábua sobre um buraco na terra que cede com o peso do anima, daí também vem a expressão <em>“Mais falso do que tábua de fojo”</em>. Ainda no mesmo verso o poeta cita a <em>coivara</em> que é uma técnica agrícola que consiste em limpar um terreno para o plantio, e o material vegetal original é organizado num monte (a coivara propriamente dita), deixado para secar e depois queimado.</p>

<p><img src="https://s3.animalia.bio/animals/photos/full/original/euphractus-sexcinctus-284959585jpg.webp" alt="Foto colorida de um tatu de perfil numa vala escavada de barro vermelho"></p>

<p>• <strong>Capote</strong> é a mesma Galinha-d&#39;angola (<em>Numida meleagris</em>), as vezes também chamado de guiné.</p>

<p>• <strong>Carão</strong> (<em>Aramus guarauna</em>) é uma ave da família das garças. A cultura popular acredita que quando o carão canta ele está anunciando que há chuva chegando e/ou que o período chuvoso vai ser de elevada precipitação. Biologicamente, as aves possuem mecanismos de percepção de modificações atmosféricas e o canto pode funcionar como alerta aos outros indivíduos que as condições meteorológicas estão mudando e eles precisam encontrar abrigo. Ainda, os animais geralmente sincronizam seus períodos reprodutivos com épocas do ano de maior fartura alimentar, que é o caso do época das chuvas no nordeste, assim, o canto também pode fazer parte de um ritual de corte dos machos para atrair fêmeas a reprodução.</p>

<p><img src="https://cdn.download.ams.birds.cornell.edu/api/v2/asset/615138850/1200" alt="Foto colorida de uma ave de grande porte, semelhante a uma garça, com penas marrons e bico fino e longo, sobre um corpo de água raso"></p>

<p><strong>ESTROFE 08:</strong></p>

<p>Adorar juazeiro e petrolina
As <strong>carrancas do rio São Francisco</strong>
Perseguir <strong>tejuaçu</strong> arisco
Pentear o <strong>pitó</strong> com vaselina
Acertar de bodoque na <strong>cravina</strong>
Limpar mato pisando em formigueiro
Se você é sulista ou estrangeiro
Venha cá comprovar e aprender
Tem que ser nordestino pra saber
Dar valor o nordeste brasileiro</p>

<p><strong>ANÁLISE:</strong></p>

<p>• As <strong>Carrancas</strong> são esculturas de madeira geralmente representando uma cabeça animalesca e monstruosa, usadas nas proas das embarcações para espantar maus espíritos das águas, ou ainda como ornamentação.</p>

<p><img src="https://jornaldosertaope.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Carranca-no-barco-de-passeio-que-navega-pelos-canions-do-Rio-Sao-Francisco-Foto_Carol-Duque-scaled.jpg" alt="Foto colorida de uma carranca, uma escultura de madeira de uma cabeça de monstro, na proa de um barco de pequeno porte que está ancorado na beira do rio"></p>

<p>• <strong>Tejuaçu</strong> ou teiú, são lagartos do gênero <em>Tupinambis</em>, animais bastante defensivos.</p>

<p><img src="https://uploads.leouve.com.br/2025/04/rctUdouH-O-que-significa-encontrar-um-teiu-no-jardim-e-como-espantar-com-seguranca-1.webp" alt="Foto colorida de um grande lagarto com escamas de padronagem branca e preta em um ambiente externo de pastagem nativa rasteira"></p>

<p>• <strong>Pitó</strong> é o penteado também chamado de coque.</p>

<p>• <strong>Cravina</strong> ou tico-tico rei (<em>Coryphospingus cucullatus</em>) é um passarinho comum da fauna nordestina.</p>

<p><img src="https://cdn.download.ams.birds.cornell.edu/api/v2/asset/643616937/1200" alt="Foto colorida de uma pequena ave pousada num galho, ela tem plumagem cinza com um topete vermelho no topo da cabeça"></p>

<p>FIM
Até o próximo poema!!!!</p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-184v</guid>
      <pubDate>Sat, 04 Jul 2026 12:02:20 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Bebendo na fonte do Pajeú das Flores:</title>
      <link>https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-f93q</link>
      <description>&lt;![CDATA[“Tem que ser nordestino pra saber/dar valor ao Nordeste brasileiro” — Sebastião da Silva e Waldir Teles [PARTE 6]&#xA;&#xA;Essa é a sexta parte da análise, caso não tenha lido as anteriores:&#xA; &#xA;1ª estrofe&#xA;2ª estrofe&#xA;3ª estrofe&#xA;4ª estrofe&#xA;5ª estrofe&#xA;&#xA;ESTROFE 06:&#xA;&#xA;Tem que ser viajante das estradas&#xA;Companheiro da lua irmão do sol&#xA;Escutar na biqueira o rouxinol&#xA;Se expressar com aboios e toadas&#xA;Respeitar o silêncio das chapadas&#xA;Partilhar o alforje do vaqueiro&#xA;Pés descalços correr no tabuleiro&#xA;E com as forças de Deus se proteger&#xA;Tem que ser nordestino pra saber &#xA;Dar valor o nordeste brasileiro&#xA;&#xA;ANÁLISE:&#xA;&#xA;Rouxinol (Luscinia megarhynchos) é um pássaro muito comum no nordeste, que possui um canto bem distinto que geralmente se escuta a noitinha e que fazem muitas vezes seus ninhos nos telhados ou nas biqueiras das casas&#xA;&#xA;Foto colorida de uma ave de pequeno porte de plumagem marrom clara uniforme, com o bico aberto e pousada num galho fino &#xA;&#xA;O aboio é, originalmente, o conjunto de sons que o vaqueiro usa para conduzir o gado, esses sons podem ser mais simples ou complexo, tendo letras rimadas e improvisadas e até transformadas em toadas e canções.&#xA;&#xA;https://youtu.be/W2Fp65JJwbw?si=rn_2kumI0FRVfFh9]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p><strong>“Tem que ser nordestino pra saber/dar valor ao Nordeste brasileiro” — Sebastião da Silva e Waldir Teles [PARTE 6]</strong></p>

<p><em>Essa é a sexta parte da análise, caso não tenha lido as anteriores:</em></p>

<p><a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores" rel="nofollow">1ª estrofe</a>
<a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-b583" rel="nofollow">2ª estrofe</a>
<a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-dkvd" rel="nofollow">3ª estrofe</a>
<a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-b2wp" rel="nofollow">4ª estrofe</a>
<a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-q582" rel="nofollow">5ª estrofe</a></p>

<p><strong>ESTROFE 06:</strong></p>

<p>Tem que ser viajante das estradas
Companheiro da lua irmão do sol
Escutar na <strong>biqueira o rouxinol</strong>
Se expressar com <strong>aboios e toadas</strong>
Respeitar o silêncio das chapadas
Partilhar o alforje do vaqueiro
Pés descalços correr no tabuleiro
E com as forças de Deus se proteger
Tem que ser nordestino pra saber
Dar valor o nordeste brasileiro</p>

<p><strong>ANÁLISE:</strong></p>

<p><strong>Rouxinol</strong> (<em>Luscinia megarhynchos</em>) é um pássaro muito comum no nordeste, que possui um canto bem distinto que geralmente se escuta a noitinha e que fazem muitas vezes seus ninhos nos telhados ou nas <strong>biqueiras</strong> das casas</p>

<p><img src="https://cdn.download.ams.birds.cornell.edu/api/v2/asset/168730581/900" alt="Foto colorida de uma ave de pequeno porte de plumagem marrom clara uniforme, com o bico aberto e pousada num galho fino"></p>

<p>O <strong>aboio</strong> é, originalmente, o conjunto de sons que o vaqueiro usa para conduzir o gado, esses sons podem ser mais simples ou complexo, tendo letras rimadas e improvisadas e até transformadas em <strong>toadas</strong> e canções.</p>

<p><a href="https://youtu.be/W2Fp65JJwbw?si=rn_2kumI0FRVfFh9" rel="nofollow">https://youtu.be/W2Fp65JJwbw?si=rn_2kumI0FRVfFh9</a></p>
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      <pubDate>Fri, 01 May 2026 13:10:12 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Primeirostrinta</title>
      <link>https://lacra.ia.br/vitu/primeirostrinta</link>
      <description>&lt;![CDATA[Se fossem 30 dias de cadeia&#xA;Dispensaria advogado&#xA;Se fossem 30 dias em alto mar&#xA;Não seria resgatado&#xA;Se fossem 30 dias de guerra&#xA;Terminaria condecorado &#xA;Se fossem 30 dias correndo&#xA;Não ficaria cansado&#xA;&#xA;Se fossem 30 dias de escuridão&#xA;Meus olhos nem abriria&#xA;Se fossem 30 dias de luz&#xA;Ao sol agradeceria&#xA;Se fossem 30 dias no inferno&#xA;Jamais me arrependeria&#xA;Se fossem 30 dias de calor&#xA;Nem a suar chegaria&#xA;&#xA;Mas foram 30 dias de paraíso &#xA;E eu fui abençoado&#xA;30 dias de afagos&#xA;E eu foi reconfortado&#xA;30 dias de declarações&#xA;Eu sempre emocionado&#xA;&#xA;Foram 30 dias de alvoradas&#xA;E eu esperando seu bom dia&#xA;30 dias de madrugadas&#xA;A noite já não era sombria&#xA;30 dias de amores&#xA;30 dias de alegrias&#xA;30 dias que precedem&#xA;Infinitos 30 dias.&#xA;&#xA;Para Ana Letícia]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Se fossem 30 dias de cadeia
Dispensaria advogado
Se fossem 30 dias em alto mar
Não seria resgatado
Se fossem 30 dias de guerra
Terminaria condecorado
Se fossem 30 dias correndo
Não ficaria cansado</p>

<p>Se fossem 30 dias de escuridão
Meus olhos nem abriria
Se fossem 30 dias de luz
Ao sol agradeceria
Se fossem 30 dias no inferno
Jamais me arrependeria
Se fossem 30 dias de calor
Nem a suar chegaria</p>

<p>Mas foram 30 dias de paraíso
E eu fui abençoado
30 dias de afagos
E eu foi reconfortado
30 dias de declarações
Eu sempre emocionado</p>

<p>Foram 30 dias de alvoradas
E eu esperando seu bom dia
30 dias de madrugadas
A noite já não era sombria
30 dias de amores
30 dias de alegrias
30 dias que precedem
Infinitos 30 dias.</p>

<p><em>Para Ana Letícia</em></p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://lacra.ia.br/vitu/primeirostrinta</guid>
      <pubDate>Mon, 06 Apr 2026 11:41:06 +0000</pubDate>
    </item>
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