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    <title>De tão poeta morreu pobre</title>
    <link>https://lacra.ia.br/vitu/</link>
    <description>Olá, navegante! Eu sou um vitu, aqui posto textos duvidosos e poemas de rimas fracas de autoria própria e também verdadeiras obras primas dos grandes mestres. </description>
    <pubDate>Wed, 09 Sep 2026 16:35:30 +0000</pubDate>
    <item>
      <title>Bebendo na fonte do Pajeú das Flores II:</title>
      <link>https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-ii</link>
      <description>&lt;![CDATA[“Quando o ano de inverno é controlado/muda tudo na vida do sertão.” — Valdir Teles &amp; Zé Fernandes [PARTE 1]&#xA;&#xA;Obs. 1: A interpretação é do meu ponto de vista e de acordo com minha pesquisa. Algumas coisas são óbvias e eu vou ilustrar mesmo assim, e outras vão passar, mas, se ficar alguma dúvida, pode me perguntar, se quiser.&#xA;&#xA;Antes de começar, precisamos conversar sobre o título/mote e a questão do inverno nordestino: por aqui, de uma maneira geral, dá-se o nome de inverno ao período do ano em que se concentram as chuvas, sendo esse o primeiro semestre: generalizamos assim, de janeiro a junho, às vezes vai além, na maioria das vezes fica aquém. Meses que, para o resto do hemisfério sul, são, na verdade, de verão (ou verão e outono, com o inverno começando só no fim do mês junino, se você for desses). Então, quando se usa a expressão “ano de inverno controlado” significa que, no ano da graça em questão, choveu mais do que a média esperada para os primeiros seis meses no mínimo. Agora as estrofes. &#xA;&#xA;ESTROFE 01&#xA;&#xA;No inverno o sertão tem mais futuro&#xA;Ninguém quer ir embora nem na peia &#xA;Toda noite um riacho bota cheia&#xA;Toda tarde o nascente fica escuro&#xA;O maxixe amadurece no monturo&#xA;Melancia faz lama pelo chão &#xA;Baixa o preço do saco de feijão&#xA;Milho vira ração de engordar gado&#xA;Quando o ano de inverno é controlado&#xA;Muda tudo na vida do sertão&#xA;&#xA;ANÁLISE:&#xA;&#xA;O maxixe amadurece no monturo: maxixe (Cucumis anguria) é uma hortaliça trepadeira cujo fruto é comestível quando verde (quando maduro tem gosto amargo), mas que, no caso desse verso, está amadurecendo (ou seja, não foi colhido ainda devido à fartura de alimentos proporcionada pelo período chuvoso) no monturo: uma técnica de compostagem que consistem em acumular matéria organica, como restos culturais, folhas que caem das árvores, mato cortado, AMONTOADOS num determinado espaço do terreno. O mesmo se reflete no verso seguinte, com as melancias fazendo lama pelo chão, que pode ser tanto figurativamente no sentido que tem muitas frutas, ou literalmente criando lama com a água de frutos que não foram consumindo e acabaram se partindo, encharcando a terra. Ambos os vegetais são da mesma família, a das cucurbitáceas, que precisam de bastante água para crescer e produzir, o que mostra que a escolha do poeta não foi aleatória, faz sentido com o contexto proposto no mote. &#xA;&#xA;Foto colorida de uma planta de maxixe com fruto, parece um pequeno pepino verde-claro com alguns espinhos. &#xA;&#xA;Milho vira ração de engordar gado: o milho é um dos principais ingredientes energéticos das dietas animais, entretanto, é um importante alimento para os humanos também. Assim, nos períodos de escassez (ou entressafra) os preços &#34;naturalmente&#34; se elevam e o cereal é priorizado para o nosso consumo, enquanto aos animais, além da forragem (capim fornecido fresco ou conservado, ou o que eles conseguirem encontrar na pastagem nativa) que compõe maior parte da dieta, são apresentadas alternativas que não possuam competição com a alimentação humana como sorgo, polpa cítrica, resíduos de cervejaria, etc. Com o retorno da produção, o milho então pode voltar a alimentar a bicharada de forma mais consistente. &#xA;]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p><strong>“Quando o ano de inverno é controlado/muda tudo na vida do sertão.” — Valdir Teles &amp; Zé Fernandes [PARTE 1]</strong></p>

<p><em>Obs. 1: A interpretação é do meu ponto de vista e de acordo com minha pesquisa. Algumas coisas são óbvias e eu vou ilustrar mesmo assim, e outras vão passar, mas, se ficar alguma dúvida, pode me perguntar, se quiser.</em></p>

<p>Antes de começar, precisamos conversar sobre o título/mote e a questão do inverno nordestino: por aqui, de uma maneira geral, dá-se o nome de inverno ao período do ano em que se concentram as chuvas, sendo esse o <strong>primeiro semestre</strong>: generalizamos assim, de janeiro a junho, às vezes vai além, na maioria das vezes fica aquém. Meses que, para o resto do hemisfério sul, são, na verdade, de verão (ou verão e outono, com o inverno começando só no fim do mês junino, se você for desses). Então, quando se usa a expressão <em>“ano de inverno controlado”</em> significa que, no ano da graça em questão, choveu mais do que a média esperada para os primeiros seis meses no mínimo. Agora as estrofes.</p>

<p><strong>ESTROFE 01</strong></p>

<p>No inverno o sertão tem mais futuro
Ninguém quer ir embora nem na peia
Toda noite um riacho bota cheia
Toda tarde o nascente fica escuro
<strong>O maxixe amadurece no monturo</strong>
Melancia faz lama pelo chão
Baixa o preço do saco de feijão
<strong>Milho vira ração de engordar gado</strong>
Quando o ano de inverno é controlado
Muda tudo na vida do sertão</p>

<p><strong>ANÁLISE:</strong></p>
<ul><li><strong>O maxixe amadurece no monturo:</strong> maxixe (<em>Cucumis anguria</em>) é uma hortaliça trepadeira cujo fruto é comestível quando verde (quando maduro tem gosto amargo), mas que, no caso desse verso, está amadurecendo (ou seja, não foi colhido ainda devido à fartura de alimentos proporcionada pelo período chuvoso) no monturo: uma técnica de compostagem que consistem em acumular matéria organica, como restos culturais, folhas que caem das árvores, mato cortado, AMONTOADOS num determinado espaço do terreno. O mesmo se reflete no verso seguinte, com as melancias fazendo lama pelo chão, que pode ser tanto figurativamente no sentido que tem muitas frutas, ou literalmente criando lama com a água de frutos que não foram consumindo e acabaram se partindo, encharcando a terra. Ambos os vegetais são da mesma família, a das cucurbitáceas, que precisam de bastante água para crescer e produzir, o que mostra que a escolha do poeta não foi aleatória, faz sentido com o contexto proposto no mote.</li></ul>

<p><img src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/6f/Cucumis_anguria_.JPG?utm_source=pt.wikipedia.org&amp;utm_campaign=index&amp;utm_content=original" alt="Foto colorida de uma planta de maxixe com fruto, parece um pequeno pepino verde-claro com alguns espinhos."></p>
<ul><li><strong>Milho vira ração de engordar gado:</strong> o milho é um dos principais ingredientes energéticos das dietas animais, entretanto, é um importante alimento para os humanos também. Assim, nos períodos de escassez (ou entressafra) os preços “naturalmente” se elevam e o cereal é priorizado para o nosso consumo, enquanto aos animais, além da forragem (capim fornecido fresco ou conservado, ou o que eles conseguirem encontrar na pastagem nativa) que compõe maior parte da dieta, são apresentadas alternativas que não possuam competição com a alimentação humana como sorgo, polpa cítrica, resíduos de cervejaria, etc. Com o retorno da produção, o milho então pode voltar a alimentar a bicharada de forma mais consistente.</li></ul>
]]></content:encoded>
      <guid>https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-ii</guid>
      <pubDate>Tue, 08 Sep 2026 13:15:15 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Memórias de abraços que não machucam </title>
      <link>https://lacra.ia.br/vitu/memorias-de-abracos-que-nao-machucam</link>
      <description>&lt;![CDATA[Vez ou outra, de surpresa&#xA;Quase sempre sem querer&#xA;Acho uma réstia de beleza&#xA;Um vestígio de você&#xA;&#xA;Numa música bonita&#xA;Que eu sei que adora&#xA;Que o “aleatório” não hesita&#xA;De tocar toda hora&#xA;&#xA;Num sonho bom, se tiver sorte&#xA;Que invade minha mente&#xA;Até parece que o meu córtex&#xA;Não superou a gente&#xA;&#xA;Numa fotografia esquecida&#xA;De que fui feliz a prova&#xA;Era apenas uma em nossas vidas&#xA;Nunca mais haverá nova&#xA;&#xA;Até que por fim&#xA;Em versos que não mais seus&#xA;Mas talvez seja bom ter algo assim&#xA;Tão difícil de dizer adeus&#xA;]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Vez ou outra, de surpresa
Quase sempre sem querer
Acho uma réstia de beleza
Um vestígio de você</p>

<p>Numa música bonita
Que eu sei que adora
Que o “aleatório” não hesita
De tocar toda hora</p>

<p>Num sonho bom, se tiver sorte
Que invade minha mente
Até parece que o meu córtex
Não superou a gente</p>

<p>Numa fotografia esquecida
De que fui feliz a prova
Era apenas uma em nossas vidas
Nunca mais haverá nova</p>

<p>Até que por fim
Em versos que não mais seus
Mas talvez seja bom ter algo assim
Tão difícil de dizer adeus</p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://lacra.ia.br/vitu/memorias-de-abracos-que-nao-machucam</guid>
      <pubDate>Tue, 18 Aug 2026 21:29:25 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Vá ali pra vovô</title>
      <link>https://lacra.ia.br/vitu/va-ali-pra-vovo</link>
      <description>&lt;![CDATA[Esse poema foi feito com base nas propostas do perfil @arteDoDia que diariamente posta uma palavra para inspirar a arte da galera na tag #arteDoDia. Eu juntei todas (acho) as que saíram até agora nesse texto&#xA;&#xA;Vou lhe ditar uma lista&#xA;Do que eu quero do mercado&#xA;Não vá fazer gambiarra&#xA;Leve tudo anotado&#xA;Que eu faça você voltar&#xA;Se tiver trazido errado &#xA;&#xA;Cuidado mode os carros&#xA;Ande sempre na calçada&#xA;Quando chegar na bodega&#xA;Não se atrapalhe com nada&#xA;Diga que fui eu quem mandei&#xA;Deixar a compra anotada&#xA;&#xA;Quero pano pra vestido&#xA;De xita descolorida&#xA;Uma carrada e meia&#xA;De pedra de giz polida&#xA;E um par de óculos de grau&#xA;Pra minha cabra margarida&#xA;&#xA;Daquele biscoito raiva&#xA;Conte pra mim um milhão&#xA;Uns vinte e cinco fardos&#xA;De chá de dente-de-leão&#xA;E procure lá a oitava porca&#xA;De uma roda de avião&#xA;&#xA;Só coisinha simples&#xA;Vá ligeiro, fique com o troco&#xA;Ah, quase ia esquecendo&#xA;Essa aqui foi por pouco&#xA;Do galão de combustível&#xA;Pro isqueiro do cachorro&#xA;&#xA;]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p><em>Esse poema foi feito com base nas propostas do perfil <a href="https://masto.donte.com.br/@arteDoDia" rel="nofollow">@arteDoDia</a> que diariamente posta uma palavra para inspirar a arte da galera na tag <a href="/vitu/tag:arteDoDia" class="hashtag" rel="nofollow"><span>#</span><span class="p-category">arteDoDia</span></a>. Eu juntei todas (acho) as que saíram até agora nesse texto</em></p>

<p>Vou lhe ditar uma lista
Do que eu quero do <strong>mercado</strong>
Não vá fazer <strong>gambiarra</strong>
Leve tudo anotado
Que eu faça você voltar
Se tiver trazido errado</p>

<p>Cuidado mode os carros
Ande sempre na <strong>calçada</strong>
Quando chegar na bodega
Não se atrapalhe com nada
Diga que fui eu quem mandei
Deixar a compra anotada</p>

<p>Quero pano pra <strong>vestido</strong>
De xita descolorida
Uma carrada e meia
De pedra de giz polida
E um par de óculos de grau
Pra minha <strong>cabra</strong> margarida</p>

<p>Daquele biscoito <strong>raiva</strong>
Conte pra mim um milhão
Uns vinte e cinco fardos
De chá de <em>dente-de-leão</em>
E procure lá a oitava porca
De uma roda de <strong>avião</strong></p>

<p>Só coisinha simples
Vá ligeiro, fique com o troco
Ah, quase ia esquecendo
Essa aqui foi por pouco
Do galão de combustível
Pro <strong>isqueiro</strong> do <strong>cachorro</strong></p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://lacra.ia.br/vitu/va-ali-pra-vovo</guid>
      <pubDate>Wed, 22 Jul 2026 18:59:52 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Bebendo na fonte do Pajeú das Flores:</title>
      <link>https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-184v</link>
      <description>&lt;![CDATA[“Tem que ser nordestino pra saber/dar valor ao Nordeste brasileiro” — Sebastião da Silva e Waldir Teles [PARTE FINAL]&#xA;&#xA;Essa é a sétima e última parte da análise, caso não tenha lido as anteriores:&#xA; &#xA;1ª estrofe&#xA;2ª estrofe&#xA;3ª estrofe&#xA;4ª estrofe&#xA;5ª estrofe&#xA;6ª estrofe&#xA;&#xA;ESTROFE 07:&#xA;&#xA;Nordestino conhece cabeçote&#xA;Peba, fojo, coivara e roçadeira&#xA;A medida do cabo da peixeira&#xA;Cascavel chocalhando no serrote&#xA;Admira a cantiga do capote&#xA;Exclamando &#34;tô fraco!&#34; no terreiro&#xA;João de barro pra ele é engenheiro&#xA;O carão é profeta e tem poder&#xA;Tem que ser nordestino pra saber &#xA;Dar valor o nordeste brasileiro&#xA;&#xA;ANÁLISE:&#xA;&#xA;• Cabeçote é um cupinzeiro, um ninho de cupins, aqueles montinhos de terra que ficam sobre a pastagem.&#xA;&#xA;• O Peba (Euphractus sexcinctus) ou tatupeba é um tatu nativo da América do Sul, muitas vezes consumido pelos sertanejos, sendo o fojo uma espécie de armadilha usada para sua captura, é basicamente tábua sobre um buraco na terra que cede com o peso do anima, daí também vem a expressão &#34;Mais falso do que tábua de fojo&#34;. Ainda no mesmo verso o poeta cita a coivara que é uma técnica agrícola que consiste em limpar um terreno para o plantio, e o material vegetal original é organizado num monte (a coivara propriamente dita), deixado para secar e depois queimado. &#xA;&#xA;Foto colorida de um tatu de perfil numa vala escavada de barro vermelho &#xA;&#xA;• Capote é a mesma Galinha-d&#39;angola (Numida meleagris), as vezes também chamado de guiné. &#xA;&#xA;• Carão (Aramus guarauna) é uma ave da família das garças. A cultura popular acredita que quando o carão canta ele está anunciando que há chuva chegando e/ou que o período chuvoso vai ser de elevada precipitação. Biologicamente, as aves possuem mecanismos de percepção de modificações atmosféricas e o canto pode funcionar como alerta aos outros indivíduos que as condições meteorológicas estão mudando e eles precisam encontrar abrigo. Ainda, os animais geralmente sincronizam seus períodos reprodutivos com épocas do ano de maior fartura alimentar, que é o caso do época das chuvas no nordeste, assim, o canto também pode fazer parte de um ritual de corte dos machos para atrair fêmeas a reprodução. &#xA;&#xA;Foto colorida de uma ave de grande porte, semelhante a uma garça, com penas marrons e bico fino e longo, sobre um corpo de água raso &#xA;&#xA;ESTROFE 08:&#xA;&#xA;Adorar juazeiro e petrolina&#xA;As carrancas do rio São Francisco&#xA;Perseguir tejuaçu arisco &#xA;Pentear o pitó com vaselina&#xA;Acertar de bodoque na cravina&#xA;Limpar mato pisando em formigueiro&#xA;Se você é sulista ou estrangeiro&#xA;Venha cá comprovar e aprender&#xA;Tem que ser nordestino pra saber &#xA;Dar valor o nordeste brasileiro&#xA;&#xA;ANÁLISE:&#xA;&#xA;• As Carrancas são esculturas de madeira geralmente representando uma cabeça animalesca e monstruosa, usadas nas proas das embarcações para espantar maus espíritos das águas, ou ainda como ornamentação.&#xA;&#xA;Foto colorida de uma carranca, uma escultura de madeira de uma cabeça de monstro, na proa de um barco de pequeno porte que está ancorado na beira do rio &#xA;&#xA;• Tejuaçu ou teiú, são lagartos do gênero Tupinambis, animais bastante defensivos. &#xA;&#xA;Foto colorida de um grande lagarto com escamas de padronagem branca e preta em um ambiente externo de pastagem nativa rasteira &#xA;&#xA;• Pitó é o penteado também chamado de coque.&#xA;&#xA;• Cravina ou tico-tico rei (Coryphospingus cucullatus) é um passarinho comum da fauna nordestina. &#xA;&#xA;Foto colorida de uma pequena ave pousada num galho, ela tem plumagem cinza com um topete vermelho no topo da cabeça &#xA;&#xA;FIM&#xA;Até o próximo poema!!!! ]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p><strong>“Tem que ser nordestino pra saber/dar valor ao Nordeste brasileiro” — Sebastião da Silva e Waldir Teles [PARTE FINAL]</strong></p>

<p><em>Essa é a sétima e última parte da análise, caso não tenha lido as anteriores:</em></p>

<p><a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores" rel="nofollow">1ª estrofe</a>
<a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-b583" rel="nofollow">2ª estrofe</a>
<a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-dkvd" rel="nofollow">3ª estrofe</a>
<a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-b2wp" rel="nofollow">4ª estrofe</a>
<a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-q582" rel="nofollow">5ª estrofe</a>
<a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-rvnr" rel="nofollow">6ª estrofe</a></p>

<p><strong>ESTROFE 07:</strong></p>

<p>Nordestino conhece <strong>cabeçote</strong>
<strong>Peba</strong>, <strong>fojo</strong>, <strong>coivara</strong> e roçadeira
A medida do cabo da peixeira
Cascavel chocalhando no serrote
Admira a cantiga do <strong>capote</strong>
Exclamando “tô fraco!” no terreiro
João de barro pra ele é engenheiro
O <strong>carão</strong> é profeta e tem poder
Tem que ser nordestino pra saber
Dar valor o nordeste brasileiro</p>

<p><strong>ANÁLISE:</strong></p>

<p>• <strong>Cabeçote</strong> é um cupinzeiro, um ninho de cupins, aqueles montinhos de terra que ficam sobre a pastagem.</p>

<p>• O <strong>Peba</strong> (<em>Euphractus sexcinctus</em>) ou tatupeba é um tatu nativo da América do Sul, muitas vezes consumido pelos sertanejos, sendo o <strong>fojo</strong> uma espécie de armadilha usada para sua captura, é basicamente tábua sobre um buraco na terra que cede com o peso do anima, daí também vem a expressão <em>“Mais falso do que tábua de fojo”</em>. Ainda no mesmo verso o poeta cita a <em>coivara</em> que é uma técnica agrícola que consiste em limpar um terreno para o plantio, e o material vegetal original é organizado num monte (a coivara propriamente dita), deixado para secar e depois queimado.</p>

<p><img src="https://s3.animalia.bio/animals/photos/full/original/euphractus-sexcinctus-284959585jpg.webp" alt="Foto colorida de um tatu de perfil numa vala escavada de barro vermelho"></p>

<p>• <strong>Capote</strong> é a mesma Galinha-d&#39;angola (<em>Numida meleagris</em>), as vezes também chamado de guiné.</p>

<p>• <strong>Carão</strong> (<em>Aramus guarauna</em>) é uma ave da família das garças. A cultura popular acredita que quando o carão canta ele está anunciando que há chuva chegando e/ou que o período chuvoso vai ser de elevada precipitação. Biologicamente, as aves possuem mecanismos de percepção de modificações atmosféricas e o canto pode funcionar como alerta aos outros indivíduos que as condições meteorológicas estão mudando e eles precisam encontrar abrigo. Ainda, os animais geralmente sincronizam seus períodos reprodutivos com épocas do ano de maior fartura alimentar, que é o caso do época das chuvas no nordeste, assim, o canto também pode fazer parte de um ritual de corte dos machos para atrair fêmeas a reprodução.</p>

<p><img src="https://cdn.download.ams.birds.cornell.edu/api/v2/asset/615138850/1200" alt="Foto colorida de uma ave de grande porte, semelhante a uma garça, com penas marrons e bico fino e longo, sobre um corpo de água raso"></p>

<p><strong>ESTROFE 08:</strong></p>

<p>Adorar juazeiro e petrolina
As <strong>carrancas do rio São Francisco</strong>
Perseguir <strong>tejuaçu</strong> arisco
Pentear o <strong>pitó</strong> com vaselina
Acertar de bodoque na <strong>cravina</strong>
Limpar mato pisando em formigueiro
Se você é sulista ou estrangeiro
Venha cá comprovar e aprender
Tem que ser nordestino pra saber
Dar valor o nordeste brasileiro</p>

<p><strong>ANÁLISE:</strong></p>

<p>• As <strong>Carrancas</strong> são esculturas de madeira geralmente representando uma cabeça animalesca e monstruosa, usadas nas proas das embarcações para espantar maus espíritos das águas, ou ainda como ornamentação.</p>

<p><img src="https://jornaldosertaope.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Carranca-no-barco-de-passeio-que-navega-pelos-canions-do-Rio-Sao-Francisco-Foto_Carol-Duque-scaled.jpg" alt="Foto colorida de uma carranca, uma escultura de madeira de uma cabeça de monstro, na proa de um barco de pequeno porte que está ancorado na beira do rio"></p>

<p>• <strong>Tejuaçu</strong> ou teiú, são lagartos do gênero <em>Tupinambis</em>, animais bastante defensivos.</p>

<p><img src="https://uploads.leouve.com.br/2025/04/rctUdouH-O-que-significa-encontrar-um-teiu-no-jardim-e-como-espantar-com-seguranca-1.webp" alt="Foto colorida de um grande lagarto com escamas de padronagem branca e preta em um ambiente externo de pastagem nativa rasteira"></p>

<p>• <strong>Pitó</strong> é o penteado também chamado de coque.</p>

<p>• <strong>Cravina</strong> ou tico-tico rei (<em>Coryphospingus cucullatus</em>) é um passarinho comum da fauna nordestina.</p>

<p><img src="https://cdn.download.ams.birds.cornell.edu/api/v2/asset/643616937/1200" alt="Foto colorida de uma pequena ave pousada num galho, ela tem plumagem cinza com um topete vermelho no topo da cabeça"></p>

<p>FIM
Até o próximo poema!!!!</p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-184v</guid>
      <pubDate>Sat, 04 Jul 2026 12:02:20 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Bebendo na fonte do Pajeú das Flores:</title>
      <link>https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-f93q</link>
      <description>&lt;![CDATA[“Tem que ser nordestino pra saber/dar valor ao Nordeste brasileiro” — Sebastião da Silva e Waldir Teles [PARTE 6]&#xA;&#xA;Essa é a sexta parte da análise, caso não tenha lido as anteriores:&#xA; &#xA;1ª estrofe&#xA;2ª estrofe&#xA;3ª estrofe&#xA;4ª estrofe&#xA;5ª estrofe&#xA;&#xA;ESTROFE 06:&#xA;&#xA;Tem que ser viajante das estradas&#xA;Companheiro da lua irmão do sol&#xA;Escutar na biqueira o rouxinol&#xA;Se expressar com aboios e toadas&#xA;Respeitar o silêncio das chapadas&#xA;Partilhar o alforje do vaqueiro&#xA;Pés descalços correr no tabuleiro&#xA;E com as forças de Deus se proteger&#xA;Tem que ser nordestino pra saber &#xA;Dar valor o nordeste brasileiro&#xA;&#xA;ANÁLISE:&#xA;&#xA;Rouxinol (Luscinia megarhynchos) é um pássaro muito comum no nordeste, que possui um canto bem distinto que geralmente se escuta a noitinha e que fazem muitas vezes seus ninhos nos telhados ou nas biqueiras das casas&#xA;&#xA;Foto colorida de uma ave de pequeno porte de plumagem marrom clara uniforme, com o bico aberto e pousada num galho fino &#xA;&#xA;O aboio é, originalmente, o conjunto de sons que o vaqueiro usa para conduzir o gado, esses sons podem ser mais simples ou complexo, tendo letras rimadas e improvisadas e até transformadas em toadas e canções.&#xA;&#xA;https://youtu.be/W2Fp65JJwbw?si=rn_2kumI0FRVfFh9]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p><strong>“Tem que ser nordestino pra saber/dar valor ao Nordeste brasileiro” — Sebastião da Silva e Waldir Teles [PARTE 6]</strong></p>

<p><em>Essa é a sexta parte da análise, caso não tenha lido as anteriores:</em></p>

<p><a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores" rel="nofollow">1ª estrofe</a>
<a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-b583" rel="nofollow">2ª estrofe</a>
<a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-dkvd" rel="nofollow">3ª estrofe</a>
<a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-b2wp" rel="nofollow">4ª estrofe</a>
<a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-q582" rel="nofollow">5ª estrofe</a></p>

<p><strong>ESTROFE 06:</strong></p>

<p>Tem que ser viajante das estradas
Companheiro da lua irmão do sol
Escutar na <strong>biqueira o rouxinol</strong>
Se expressar com <strong>aboios e toadas</strong>
Respeitar o silêncio das chapadas
Partilhar o alforje do vaqueiro
Pés descalços correr no tabuleiro
E com as forças de Deus se proteger
Tem que ser nordestino pra saber
Dar valor o nordeste brasileiro</p>

<p><strong>ANÁLISE:</strong></p>

<p><strong>Rouxinol</strong> (<em>Luscinia megarhynchos</em>) é um pássaro muito comum no nordeste, que possui um canto bem distinto que geralmente se escuta a noitinha e que fazem muitas vezes seus ninhos nos telhados ou nas <strong>biqueiras</strong> das casas</p>

<p><img src="https://cdn.download.ams.birds.cornell.edu/api/v2/asset/168730581/900" alt="Foto colorida de uma ave de pequeno porte de plumagem marrom clara uniforme, com o bico aberto e pousada num galho fino"></p>

<p>O <strong>aboio</strong> é, originalmente, o conjunto de sons que o vaqueiro usa para conduzir o gado, esses sons podem ser mais simples ou complexo, tendo letras rimadas e improvisadas e até transformadas em <strong>toadas</strong> e canções.</p>

<p><a href="https://youtu.be/W2Fp65JJwbw?si=rn_2kumI0FRVfFh9" rel="nofollow">https://youtu.be/W2Fp65JJwbw?si=rn_2kumI0FRVfFh9</a></p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-f93q</guid>
      <pubDate>Fri, 01 May 2026 13:10:12 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Primeirostrinta</title>
      <link>https://lacra.ia.br/vitu/primeirostrinta</link>
      <description>&lt;![CDATA[Se fossem 30 dias de cadeia&#xA;Dispensaria advogado&#xA;Se fossem 30 dias em alto mar&#xA;Não seria resgatado&#xA;Se fossem 30 dias de guerra&#xA;Terminaria condecorado &#xA;Se fossem 30 dias correndo&#xA;Não ficaria cansado&#xA;&#xA;Se fossem 30 dias de escuridão&#xA;Meus olhos nem abriria&#xA;Se fossem 30 dias de luz&#xA;Ao sol agradeceria&#xA;Se fossem 30 dias no inferno&#xA;Jamais me arrependeria&#xA;Se fossem 30 dias de calor&#xA;Nem a suar chegaria&#xA;&#xA;Mas foram 30 dias de paraíso &#xA;E eu fui abençoado&#xA;30 dias de afagos&#xA;E eu foi reconfortado&#xA;30 dias de declarações&#xA;Eu sempre emocionado&#xA;&#xA;Foram 30 dias de alvoradas&#xA;E eu esperando seu bom dia&#xA;30 dias de madrugadas&#xA;A noite já não era sombria&#xA;30 dias de amores&#xA;30 dias de alegrias&#xA;30 dias que precedem&#xA;Infinitos 30 dias.&#xA;&#xA;Para Ana Letícia]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Se fossem 30 dias de cadeia
Dispensaria advogado
Se fossem 30 dias em alto mar
Não seria resgatado
Se fossem 30 dias de guerra
Terminaria condecorado
Se fossem 30 dias correndo
Não ficaria cansado</p>

<p>Se fossem 30 dias de escuridão
Meus olhos nem abriria
Se fossem 30 dias de luz
Ao sol agradeceria
Se fossem 30 dias no inferno
Jamais me arrependeria
Se fossem 30 dias de calor
Nem a suar chegaria</p>

<p>Mas foram 30 dias de paraíso
E eu fui abençoado
30 dias de afagos
E eu foi reconfortado
30 dias de declarações
Eu sempre emocionado</p>

<p>Foram 30 dias de alvoradas
E eu esperando seu bom dia
30 dias de madrugadas
A noite já não era sombria
30 dias de amores
30 dias de alegrias
30 dias que precedem
Infinitos 30 dias.</p>

<p><em>Para Ana Letícia</em></p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://lacra.ia.br/vitu/primeirostrinta</guid>
      <pubDate>Mon, 06 Apr 2026 11:41:06 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Bebendo na fonte do Pajeú das Flores:</title>
      <link>https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-q582</link>
      <description>&lt;![CDATA[“Tem que ser nordestino pra saber/dar valor ao Nordeste brasileiro” — Sebastião da Silva e Waldir Teles [PARTE 5]&#xA;&#xA;Essa é a quinta parte da análise, caso não tenha lido as anteriores:&#xA; &#xA;1ª estrofe&#xA;2ª estrofe&#xA;3ª estrofe&#xA;4ª estrofe&#xA;&#xA;Disclaimer: eu pulei uma estrofe anterior, vou trazê-la agora antes da 5ª, nomeando-a de 05a&#xA;&#xA;ESTROFE 05a:&#xA;&#xA;Tem que ser nordestino bem porreta &#xA;Pra nos dedos fazer um capitão&#xA;De farofa, de arroz e de feijão&#xA;E comer com pimenta-malagueta&#xA;Com a foice cortar jurema preta&#xA;Amansar animal passarinheiro&#xA;Tomar banho com água de barreiro&#xA;Esgotar a cacimba de beber&#xA;Tem que ser nordestino pra saber&#xA;Dar valor do nordeste brasileiro.&#xA;&#xA;ANÁLISE:&#xA;&#xA;• Capitão, como o próprio poeta explica no verso seguinte, é um bolinho feito amassando-se o feijão e a farinha com as mãos no momento da alimentação. Também pode ser chamado de raposo/raposa ou macaquinho.&#xA;&#xA;• Jurema preta (Mimosa tenuiflora) é uma espécie arbórea da caatinga, de galhos finos, escuros e espinhosos. &#xA;&#xA;Foto colorida da árvore comentada, apesar de alta tem o tronco e galhos delgados e folhas ralas e pequenas &#xA;&#xA;• Animal passarinheiro é aquele que se assusta fácil com objetos ou movimentos que ocorram ao seu redor, muito usado para descrever cavalos que não passaram por processo de doma.&#xA;&#xA; • Cacimba e barreiro são duas formas de captação e armazenamento de água, sendo a cacimba uma espécie de poço escavado em locais úmidos para obtenção de água subterrânea e o barreiro é uma trincheira feita para captar água da chuva que escoa pela superfície do solo.&#xA;&#xA;Foto colorida de um homem coletando água de um barreiro &#xA;&#xA;ESTROFE 05:&#xA;&#xA;Tem que ser nordestino cabra macho&#xA;Pra na cerca fazer um passador&#xA;Com as ervas inventar um lambedor&#xA;Preparar nó de porco e barbicacho&#xA;Perseguir passarinho com um facho&#xA;Botar uma careta em marrueiro&#xA;Com a canga prender pai de chiqueiro&#xA;Pra na cerca dos outros não caber&#xA;Tem que ser nordestino pra saber&#xA;Dar valor o nordeste brasileiro&#xA;&#xA;ANÁLISE:&#xA;&#xA;• Passador ou passadiço é uma estrutura semelhante ao uma pequena escada, geralmente feita de madeira rústica e montada sobre uma cerca de arame farpado, para permitir que uma pessoa passe de um terreno para o outro sem precisar se deslocar até a entrada desse espaço delimitado&#xA;&#xA;Foto colorida da estrutura comentada &#xA; &#xA;• Lambedor é um xarope natural e caseiro feito com mel, plantas medicinais, especiarias e etc, para o tratamento de tosse e outros sintomas de gripe, principalmente.&#xA;&#xA;• Nó de porco (também chamado de volta do fiel) e barbicacho são tipos de nós usados para amarrar cargas e animais. Barbicacho também pode se referir ao laço que passa por baixo do queixo para prender o chapéu a cabeça. &#xA;&#xA;• Perseguir passarinho com um facho é uma técnica de caça de subsistência ou captura de animais, onde se utiliza uma lanterna (ou outra fonte de luz) para ofuscar a visão de pássaros a noite e facilitar a apreensão.&#xA;&#xA;• Careta é um anteparo, uma máscara, confeccionada geralmente em couro, utilizada para cobrir os olhos de animais defensivos e/ou reativos e facilitar sua condução, protegendo as pessoas e o próprio animal. Marrueiro inclusive refere-se a um touro bravo, não domado. &#xA;&#xA;Foto colorida de um bovino caramelo usando uma careta de couro, sendo conduzido por uma corda por um vaqueiro a cavalo com um cachorro ao lado,, por uma estrada de terra &#xA;&#xA;• Canga ou cangalha é uma estrutura feita com madeira de galhos de árvores, formando como se fosse um triangulo ao redor do pescoço ods animais, para evitar que eles passem por entre os arames dos cercados. O pai de chiqueiro é o nome dado ao macho caprino adulto, o bode reprodutor da criação, que muitas vezes tenta passar da cerca em busca de fêmeas no cio, por exemplo. &#xA;&#xA;Foto colorida de um caprino branco usando canga no pescoço &#xA;&#xA;Até a próxima estrofe! ]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p><strong>“Tem que ser nordestino pra saber/dar valor ao Nordeste brasileiro” — Sebastião da Silva e Waldir Teles [PARTE 5]</strong></p>

<p><em>Essa é a quinta parte da análise, caso não tenha lido as anteriores:</em></p>

<p><a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores" rel="nofollow">1ª estrofe</a>
<a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-b583" rel="nofollow">2ª estrofe</a>
<a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-dkvd" rel="nofollow">3ª estrofe</a>
<a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-b2wp" rel="nofollow">4ª estrofe</a></p>

<p><em>Disclaimer: eu pulei uma estrofe anterior, vou trazê-la agora antes da 5ª, nomeando-a de 05a</em></p>

<p><strong>ESTROFE 05a:</strong></p>

<p>Tem que ser nordestino bem porreta
Pra nos dedos fazer um <strong>capitão</strong>
De farofa, de arroz e de feijão
E comer com pimenta-malagueta
Com a foice cortar <strong>jurema preta</strong>
Amansar <strong>animal passarinheiro</strong>
Tomar banho com água de <strong>barreiro</strong>
Esgotar a <strong>cacimba</strong> de beber
Tem que ser nordestino pra saber
Dar valor do nordeste brasileiro.</p>

<p><strong>ANÁLISE:</strong></p>

<p>• <strong>Capitão</strong>, como o próprio poeta explica no verso seguinte, é um bolinho feito amassando-se o feijão e a farinha com as mãos no momento da alimentação. Também pode ser chamado de <em>raposo/raposa</em> ou <em>macaquinho</em>.</p>

<p>• <strong>Jurema preta</strong> (<em>Mimosa tenuiflora</em>) é uma espécie arbórea da caatinga, de galhos finos, escuros e espinhosos.</p>

<p><img src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c5/Jurema-preta.jpg" alt="Foto colorida da árvore comentada, apesar de alta tem o tronco e galhos delgados e folhas ralas e pequenas"></p>

<p>• <strong>Animal passarinheiro</strong> é aquele que se assusta fácil com objetos ou movimentos que ocorram ao seu redor, muito usado para descrever cavalos que não passaram por processo de doma.</p>

<p> • <strong>Cacimba</strong> e <strong>barreiro</strong> são duas formas de captação e armazenamento de água, sendo a cacimba uma espécie de poço escavado em locais úmidos para obtenção de água subterrânea e o barreiro é uma trincheira feita para captar água da chuva que escoa pela superfície do solo.</p>

<p><img src="https://i.ytimg.com/vi/580KQhMD6cw/hq720.jpg?sqp=-oaymwEhCK4FEIIDSFryq4qpAxMIARUAAAAAGAElAADIQj0AgKJD&amp;rs=AOn4CLDlmMETfOei-eUcbFIpaD-y0TPMOA" alt="Foto colorida de um homem coletando água de um barreiro"></p>

<p><strong>ESTROFE 05:</strong></p>

<p>Tem que ser nordestino cabra macho
Pra na cerca fazer um <strong>passador</strong>
Com as ervas inventar um <strong>lambedor</strong>
Preparar <strong>nó de porco</strong> e <strong>barbicacho</strong>
<strong>Perseguir passarinho com um facho</strong>
Botar uma <strong>careta</strong> em <strong>marrueiro</strong>
Com a <strong>canga</strong> prender <strong>pai de chiqueiro</strong>
Pra na cerca dos outros não caber
Tem que ser nordestino pra saber
Dar valor o nordeste brasileiro</p>

<p><strong>ANÁLISE:</strong></p>

<p>• <strong>Passador</strong> ou passadiço é uma estrutura semelhante ao uma pequena escada, geralmente feita de madeira rústica e montada sobre uma cerca de arame farpado, para permitir que uma pessoa passe de um terreno para o outro sem precisar se deslocar até a entrada desse espaço delimitado</p>

<p><img src="https://scontent.fjdo1-1.fna.fbcdn.net/v/t39.30808-6/624903317_1354571420046526_1335732399496495994_n.jpg?stp=dst-jpg_p526x296_tt6&amp;_nc_cat=101&amp;ccb=1-7&amp;_nc_sid=7b2446&amp;_nc_ohc=zEPjKbVAVRcQ7kNvwE_m-dG&amp;_nc_oc=AdrDlXJjoB5EuXg7a6pSld5oe8kWKsNgQgKY8USdJp9FokG_IiFtDV6CjIsfUs63gVYR-WKS7mTBHfLSWhNshm8G&amp;_nc_zt=23&amp;_nc_ht=scontent.fjdo1-1.fna&amp;_nc_gid=3egPWTJILC7aJrKMxfSlJg&amp;_nc_ss=7a389&amp;oh=00_Af2MoF7k7XTiPQDJTLj9Sv71HVHxIwvMK76dWgiC2vdSrg&amp;oe=69D458C3" alt="Foto colorida da estrutura comentada"></p>

<p>• <strong>Lambedor</strong> é um xarope natural e caseiro feito com mel, plantas medicinais, especiarias e etc, para o tratamento de tosse e outros sintomas de gripe, principalmente.</p>

<p>• <strong>Nó de porco</strong> (também chamado de volta do fiel) e <strong>barbicacho</strong> são tipos de nós usados para amarrar cargas e animais. Barbicacho também pode se referir ao laço que passa por baixo do queixo para prender o chapéu a cabeça.</p>

<p>• <strong>Perseguir passarinho com um facho</strong> é uma técnica de caça de subsistência ou captura de animais, onde se utiliza uma lanterna (ou outra fonte de luz) para ofuscar a visão de pássaros a noite e facilitar a apreensão.</p>

<p>• <strong>Careta</strong> é um anteparo, uma máscara, confeccionada geralmente em couro, utilizada para cobrir os olhos de animais defensivos e/ou reativos e facilitar sua condução, protegendo as pessoas e o próprio animal. <strong>Marrueiro</strong> inclusive refere-se a um touro bravo, não domado.</p>

<p><img src="https://www.acessepiaui.com.br/images/colunas2/2409/Gado.JPG" alt="Foto colorida de um bovino caramelo usando uma careta de couro, sendo conduzido por uma corda por um vaqueiro a cavalo com um cachorro ao lado,, por uma estrada de terra"></p>

<p>• <strong>Canga</strong> ou cangalha é uma estrutura feita com madeira de galhos de árvores, formando como se fosse um triangulo ao redor do pescoço ods animais, para evitar que eles passem por entre os arames dos cercados. O <strong>pai de chiqueiro</strong> é o nome dado ao macho caprino adulto, o bode reprodutor da criação, que muitas vezes tenta passar da cerca em busca de fêmeas no cio, por exemplo.</p>

<p><img src="https://vault.pulsarimagens.com.br/file/thumb/11ADR810.jpg" alt="Foto colorida de um caprino branco usando canga no pescoço"></p>

<p>Até a próxima estrofe!</p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-q582</guid>
      <pubDate>Thu, 02 Apr 2026 12:43:49 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Bebendo na fonte do Pajeú das Flores:</title>
      <link>https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-b2wp</link>
      <description>&lt;![CDATA[“Tem que ser nordestino pra saber/dar valor ao Nordeste brasileiro” — Sebastião da Silva e Waldir Teles [PARTE 4]&#xA;&#xA;Essa é a quarta parte da análise, caso não tenha lido as anteriores:&#xA; &#xA;1ª estrofe&#xA;2ª estrofe&#xA;3ª estrofe&#xA;&#xA;ESTROFE 04&#xA;&#xA;Nordestino é de raça curiosa&#xA;Compreende o amiudar do galo&#xA;Cedo aprende a fazer cuscuz de ralo&#xA;Colher fruta de palma saborosa&#xA;Separar manga espada, manga rosa&#xA;Curar dores com sebo de carneiro &#xA;Muito crente chamar de curandeiro&#xA;E roubar santo na seca pra chover&#xA;Tem que ser nordestino pra saber &#xA;Dar valor ao Nordeste brasileiro&#xA;&#xA;ANÁLISE:&#xA;&#xA;• Amiúde pode significar “Que ocorre de maneira repetida; frequente”, como Zé Ramalho também usa em &#34;Chão de Giz&#34; pra se referir aos jornais de folha, então, o amiudar do galo pode-se compreender como o canto rotineiro de toda manhã.&#xA;&#xA;• Cuscuz de ralo é aquele que é feito do milho ralado na hora.&#xA;&#xA;Foto colorida de um homem sentado ao ar livre em um banco rústico de madeira, ralando espigas de milho num ralador metálico cujo produto cai em uma bacia de metal a sua frente. Ele usa boné, camisa de manga longa laranja, calça jeans escura e botas&#xA;&#xA;• A mais famosa fruta de palma é conhecida como figo-da-índia (Opuntia ficus-indica)&#xA;&#xA;Foto colorida da planta mencionada, uma cactácea (palma) com vários frutos amarelados no topo dos cladódios&#xA;&#xA;• O sebo ou gordura dos ovinos era utilizada para tratamento de machucados e dores. Se priorizava a obtenção da gordura visceral, sobretudo a da glândula adrenal, responsável pela produção do cortisol, que por sua vez tem função anti-inflamatória, regulando o sistema imunológico, então talvez daí venha o princípio ativo. Os lipídios por si só podem interagir com as membranas celulares dos microorganismos impedindo sua proliferação, além de proteger ferimentos do contato com o ar e sujidades e hidratar a pele, por isso usada até hoje como medicamento e cosmético.&#xA;&#xA;• Uma tradição antiga de roubar uma imagem de São José, o “padroeiro da chuva”, até o fim do período chuvoso, para que o santo não abandonasse os sertanejos e a colheita fosse produtiva, depois sendo devolvido ao seu local original.&#xA;&#xA;Foto de tom avermelhado de várias pessoas numa procissão carregando velas e uma imagem de São José&#xA;&#xA;Até a próxima estrofe! ]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p><strong>“Tem que ser nordestino pra saber/dar valor ao Nordeste brasileiro” — Sebastião da Silva e Waldir Teles [PARTE 4]</strong></p>

<p><em>Essa é a quarta parte da análise, caso não tenha lido as anteriores:</em></p>

<p><a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores" rel="nofollow">1ª estrofe</a>
<a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-b583" rel="nofollow">2ª estrofe</a>
<a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-dkvd" rel="nofollow">3ª estrofe</a></p>

<p><strong>ESTROFE 04</strong></p>

<p>Nordestino é de raça curiosa
Compreende o <strong>amiudar do galo</strong>
Cedo aprende a fazer <strong>cuscuz de ralo</strong>
Colher <strong>fruta de palma</strong> saborosa
Separar <strong>manga espada, manga rosa</strong>
Curar dores com <strong>sebo de carneiro</strong>
Muito crente chamar de curandeiro
E <strong>roubar santo na seca pra chover</strong>
Tem que ser nordestino pra saber
Dar valor ao Nordeste brasileiro</p>

<p><strong>ANÁLISE:</strong></p>

<p>• <strong>Amiúde</strong> pode significar “Que ocorre de maneira repetida; frequente”, como Zé Ramalho também usa em “Chão de Giz” pra se referir aos jornais de folha, então, o amiudar do galo pode-se compreender como o canto rotineiro de toda manhã.</p>

<p>• <strong>Cuscuz</strong> de ralo é aquele que é feito do milho ralado na hora.</p>

<p><img src="https://i.ytimg.com/vi/topRuHxQ8Pc/hqdefault.jpg" alt="Foto colorida de um homem sentado ao ar livre em um banco rústico de madeira, ralando espigas de milho num ralador metálico cujo produto cai em uma bacia de metal a sua frente. Ele usa boné, camisa de manga longa laranja, calça jeans escura e botas"></p>

<p>• A mais famosa <strong>fruta de palma</strong> é conhecida como figo-da-índia (<em>Opuntia ficus-indica</em>)</p>

<p><img src="https://paisefilhos.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Opuntia-ficus.jpg" alt="Foto colorida da planta mencionada, uma cactácea (palma) com vários frutos amarelados no topo dos cladódios"></p>

<p>• O <strong>sebo</strong> ou gordura dos ovinos era utilizada para tratamento de machucados e dores. Se priorizava a obtenção da gordura visceral, sobretudo a da glândula adrenal, responsável pela produção do cortisol, que por sua vez tem função anti-inflamatória, regulando o sistema imunológico, então talvez daí venha o princípio ativo. Os lipídios por si só podem interagir com as membranas celulares dos microorganismos impedindo sua proliferação, além de proteger ferimentos do contato com o ar e sujidades e hidratar a pele, por isso usada até hoje como medicamento e cosmético.</p>

<p>• Uma tradição antiga de <strong>roubar</strong> uma imagem de São José, o “padroeiro da chuva”, até o fim do período chuvoso, para que o santo não abandonasse os sertanejos e a colheita fosse produtiva, depois sendo devolvido ao seu local original.</p>

<p><img src="https://obeabadosertao.com.br/UserFiles/Image/religiosos/eventos/conceicao_pb_furto_do_santo_465b.jpg" alt="Foto de tom avermelhado de várias pessoas numa procissão carregando velas e uma imagem de São José"></p>

<p>Até a próxima estrofe!</p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-b2wp</guid>
      <pubDate>Sun, 15 Mar 2026 10:27:23 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Bebendo na fonte do Pajeú das Flores:</title>
      <link>https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-dkvd</link>
      <description>&lt;![CDATA[“Tem que ser nordestino pra saber/dar valor ao Nordeste brasileiro” — Sebastião da Silva e Waldir Teles [PARTE 3]&#xA;&#xA;Essa é a terceira parte da análise, caso não tenha lido as anteriores:&#xA; &#xA;1ª estrofe&#xA;2ª estrofe&#xA;&#xA;ESTROFE 03&#xA;&#xA;Sentir gosto na fava bem madura&#xA;Vestir bem o gibão e a perneira&#xA;Crer no galho nas mãos da benzedeira&#xA;Ser o doce que tem na rapadura&#xA;Passear procurando tanajura&#xA;Nas primeiras chuvadas de janeiro&#xA;Brocoió, mocorongo, beradeiro&#xA;Se isso for nordestino eu quero ser&#xA;Tem que ser nordestino pra saber &#xA;Dar valor ao Nordeste brasileiro&#xA;&#xA;ANÁLISE:&#xA;&#xA;• Fava é uma leguminosa, refere-se principalmente a espécie Vicia faba, semelhante a um feijão só que maior, que pode ser preparada de como uma feijoada.&#xA;&#xA;• Gibão e perneira seriam como a camisa e a calça, feitas de couro, usadas pelos vaqueiros para se proteger dos galhos espinhosos das plantas da caatinga.&#xA;&#xA;Foto colorida de um homem de costas vestindo uma roupa de couro marrom com detalhes brancos, consistindo em um chapéu em formato de cuia com uma aba curta, uma espécie de jaquetão sobre os ombros que é o gibão, uma proteção de couro que lembra uma calça sem o fundo que ele usa por cima das pernas de uma calça jeans que é a perneira. Ao seu lado de frente para a câmera está um cavalo acinzentado que usa uma proteção de couro escuro no peito. Ao fundo aparece uma mata desfocada.&#xA;&#xA;• Benzedeiras ou rezadeiras são geralmente mulheres idosas que possuem o dom de curar as pessoas, principalmente de mau-olhado e coisas do gênero, com orações realizadas enquanto “benzem” o paciente com ramos de folhas de plantas específicas. Na música REZA de Luana Flores e Jéssica Caitano a introdução é uma reza de olhado, e tanto a letra e o clipe faz outras referências a tradição das rezadeiras nordestinas.&#xA;&#xA;• Tanajura ou saúva são nomes dados as formigas-cortadeiras, sobretudo as maiores e os machos alados, que eram (e ainda são) utilizadas como alimento, mediante sua captura nos meses de verão, temporada de chuvas que ocorre no primeiro semestre do ano a qual chamamos de “inverno”, quando esses insetos costumam a se reproduzir, já que nesse o solo está mais macio e isso facilita a instalação dos novos ninhos. &#xA;&#xA;Foto colorida mostrando diferentes castas e estágios reprodutivos de formigas, dispostas lado a lado sobre uma superfície clara, com cada indivíduo identificado por rótulos em inglês, que dizem o seguinte: À esquerda, observa-se uma operária média, de tamanho intermediário, corpo marrom-avermelhado, cabeça proporcionalmente moderada e pernas relativamente longas. Próxima a ela está uma operária menor, visivelmente menor do que a anterior. Mais acima aparece uma operária maior, robusta, com cabeça larga e mandíbulas bem desenvolvidas. No centro da imagem encontra-se a rainha fecundada (sem asas) e sobre ela uma rainha virgem (ainda alada, com asas membranosas e translucidas), ambas são maiores que as operárias, com abdômen volumoso e tórax desenvolvido, indicando sua função reprodutiva. À direita do conjunto central vê-se uma operária mínima, extremamente pequena. Por fim, à extrema-direita, aparece o macho alado, maior que as operárias e menor do que a rainha, com asas bem desenvolvidas, cuja função principal é a reprodução durante o voo nupcial.&#xA;&#xA;• Brocoió, mocorongo, beradeiro são sinônimos de &#39;caipira&#39; ou &#39;pessoa simples&#39; usados pejorativamente para se referir aos sertanejos, do qual o poeta se apropria para reverter o sentido em favor dos camponeses.&#xA;&#xA;Até a próxima estrofe! ]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p><strong>“Tem que ser nordestino pra saber/dar valor ao Nordeste brasileiro” — Sebastião da Silva e Waldir Teles [PARTE 3]</strong></p>

<p><em>Essa é a terceira parte da análise, caso não tenha lido as anteriores:</em></p>

<p><a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores" rel="nofollow">1ª estrofe</a>
<a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-b583" rel="nofollow">2ª estrofe</a></p>

<p><strong>ESTROFE 03</strong></p>

<p>Sentir gosto na <strong>fava</strong> bem madura
Vestir bem o <strong>gibão e a perneira</strong>
Crer no galho nas mãos da <strong>benzedeira</strong>
Ser o doce que tem na rapadura
Passear procurando <strong>tanajura</strong>
Nas primeiras <strong>chuvadas de janeiro</strong>
<strong>Brocoió, mocorongo, beradeiro</strong>
Se isso for nordestino eu quero ser
Tem que ser nordestino pra saber
Dar valor ao Nordeste brasileiro</p>

<p><strong>ANÁLISE:</strong></p>

<p>• <strong>Fava</strong> é uma leguminosa, refere-se principalmente a espécie <em>Vicia faba</em>, semelhante a um feijão só que maior, que pode ser preparada de como uma feijoada.</p>

<p>• <strong>Gibão e perneira</strong> seriam como a camisa e a calça, feitas de couro, usadas pelos vaqueiros para se proteger dos galhos espinhosos das plantas da caatinga.</p>

<p><img src="https://images.masto.donte.com.br/media_attachments/files/115/315/536/235/440/479/original/18dc120f30fd3485.jpg" alt="Foto colorida de um homem de costas vestindo uma roupa de couro marrom com detalhes brancos, consistindo em um chapéu em formato de cuia com uma aba curta, uma espécie de jaquetão sobre os ombros que é o gibão, uma proteção de couro que lembra uma calça sem o fundo que ele usa por cima das pernas de uma calça jeans que é a perneira. Ao seu lado de frente para a câmera está um cavalo acinzentado que usa uma proteção de couro escuro no peito. Ao fundo aparece uma mata desfocada."></p>

<p>• <strong>Benzedeiras</strong> ou rezadeiras são geralmente mulheres idosas que possuem o dom de curar as pessoas, principalmente de mau-olhado e coisas do gênero, com orações realizadas enquanto “benzem” o paciente com ramos de folhas de plantas específicas. Na música <strong><a href="https://youtu.be/cD3IF5zrij4?si=1SCtDcKsoDEN67qX" rel="nofollow">REZA</a></strong> de Luana Flores e Jéssica Caitano a introdução é uma reza de olhado, e tanto a letra e o clipe faz outras referências a tradição das rezadeiras nordestinas.</p>

<p>• <strong>Tanajura</strong> ou saúva são nomes dados as formigas-cortadeiras, sobretudo as maiores e os machos alados, que eram (e ainda são) utilizadas como alimento, mediante sua captura nos meses de verão, temporada de chuvas que ocorre no <strong>primeiro semestre do ano</strong> a qual chamamos de “inverno”, quando esses insetos costumam a se reproduzir, já que nesse o solo está mais macio e isso facilita a instalação dos novos ninhos.</p>

<p><img src="https://images.masto.donte.com.br/media_attachments/files/115/938/911/168/944/043/original/f02846ca9e9e8293.jpg" alt="Foto colorida mostrando diferentes castas e estágios reprodutivos de formigas, dispostas lado a lado sobre uma superfície clara, com cada indivíduo identificado por rótulos em inglês, que dizem o seguinte: À esquerda, observa-se uma operária média, de tamanho intermediário, corpo marrom-avermelhado, cabeça proporcionalmente moderada e pernas relativamente longas. Próxima a ela está uma operária menor, visivelmente menor do que a anterior. Mais acima aparece uma operária maior, robusta, com cabeça larga e mandíbulas bem desenvolvidas. No centro da imagem encontra-se a rainha fecundada (sem asas) e sobre ela uma rainha virgem (ainda alada, com asas membranosas e translucidas), ambas são maiores que as operárias, com abdômen volumoso e tórax desenvolvido, indicando sua função reprodutiva. À direita do conjunto central vê-se uma operária mínima, extremamente pequena. Por fim, à extrema-direita, aparece o macho alado, maior que as operárias e menor do que a rainha, com asas bem desenvolvidas, cuja função principal é a reprodução durante o voo nupcial."></p>

<p>• <strong>Brocoió, mocorongo, beradeiro</strong> são sinônimos de &#39;caipira&#39; ou &#39;pessoa simples&#39; usados pejorativamente para se referir aos sertanejos, do qual o poeta se apropria para reverter o sentido em favor dos camponeses.</p>

<p>Até a próxima estrofe!</p>
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      <guid>https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-dkvd</guid>
      <pubDate>Tue, 10 Feb 2026 12:36:05 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Bebendo na fonte do Pajeú das Flores:</title>
      <link>https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-b583</link>
      <description>&lt;![CDATA[“Tem que ser nordestino pra saber/dar valor ao Nordeste brasileiro” — Sebastião da Silva e Waldir Teles [PARTE 2]&#xA;&#xA;Essa é a segunda parte da análise, caso não tenha lido a primeira pode encontrá-la AQUI&#xA;&#xA;ESTROFE 02&#xA;&#xA;Tem no mínimo que ser &#34;nordestizado&#34; &#xA;Para saber o que é um caritó&#xA;Remedar assobio de mocó&#xA;Cortar lenha de foice e de machado&#xA;Tratar bem de bezerro caruado&#xA;Misturar jitirana e marmeleiro&#xA;Fazer chá com a flor de sabugueiro&#xA;Para a febre não reaparecer&#xA;Tem que ser nordestino pra saber &#xA;Dar valor ao Nordeste brasileiro&#xA;&#xA;ANÁLISE:&#xA;&#xA;• Caritó tem vários significados, nesse caso eu acho que o poeta está se referindo a prateleiras rústicas que eram construídas na própria parede da casa, como nichos pra guardar objetos construídos de &#34;alvenaria&#34;.&#xA;&#xA;Foto colorida de uma parede de uma casa de barro com vários objetos decorativos em prateleiras distribuidas por toda sua extensão, com destaque para duas prateleira como nichos de um armário construidas na própria parede&#xA;&#xA;• O mocó (Kerodon rupestris) é um pequeno roedor nativo da caatinga, que vocaliza com sons curtos e agudos que lembra um piado ou assovio. Esse chamado pode ser imitado (remedado) para atrair esses ANIMAIS.&#xA;&#xA;• Bezerro caruado é um animal doente, refere-se geralmente a inflamação nos membros e juntas (mal caruara, mal da junta inchada ou poliartrite infecciosa), resultante da não ingestão do colostro nos primeiros dias após nascido, enfraquecendo seu sistema imunológico ou ainda, a falta da cura do umbigo, que é uma porta de entrada para microorganismos, assim deixando o animal suscetível a essas e outras doenças.&#xA;&#xA;• A jitirana (Ipomoea cairica), o marmeleiro-do-mato (Croton sonderianus) e o sabugueiro (Sambucus nigra) são plantas medicinais encontradas na caatinga.&#xA;&#xA;Foto coloridade uma trepadeira com pequenas flores roxas&#xA;                                                     Jitirana]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p><strong>“Tem que ser nordestino pra saber/dar valor ao Nordeste brasileiro” — Sebastião da Silva e Waldir Teles [PARTE 2]</strong></p>

<p><em>Essa é a segunda parte da análise, caso não tenha lido a primeira pode encontrá-la <a href="https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores" rel="nofollow">AQUI</a></em></p>

<p><strong>ESTROFE 02</strong></p>

<p>Tem no mínimo que ser “nordestizado”
Para saber o que é um <strong>caritó</strong>
<strong>Remedar</strong> assobio de <strong>mocó</strong>
Cortar lenha de foice e de machado
Tratar bem de bezerro <strong>caruado</strong>
Misturar <strong>jitirana</strong> e <strong>marmeleiro</strong>
Fazer chá com a flor de <strong>sabugueiro</strong>
Para a febre não reaparecer
Tem que ser nordestino pra saber
Dar valor ao Nordeste brasileiro</p>

<p><strong>ANÁLISE:</strong></p>

<p>• <strong>Caritó</strong> tem vários significados, nesse caso eu acho que o poeta está se referindo a prateleiras rústicas que eram construídas na própria parede da casa, como nichos pra guardar objetos construídos de “alvenaria”.</p>

<p><img src="https://tropicalhousegarden.com/wp-content/uploads/2022/04/mud-house-decorative-interior.jpg" alt="Foto colorida de uma parede de uma casa de barro com vários objetos decorativos em prateleiras distribuidas por toda sua extensão, com destaque para duas prateleira como nichos de um armário construidas na própria parede"></p>

<p>• O <strong>mocó</strong> (<em>Kerodon rupestris</em>) é um pequeno roedor nativo da caatinga, que vocaliza com sons curtos e agudos que lembra um piado ou assovio. Esse chamado pode ser imitado (<strong>remedado</strong>) para atrair esses <strong><a href="https://images.masto.donte.com.br/media_attachments/files/115/310/176/030/499/016/original/b87798da0d3d3b7d.mp4" rel="nofollow">ANIMAIS</a></strong>.</p>

<p>• <strong>Bezerro caruado</strong> é um animal doente, refere-se geralmente a inflamação nos membros e juntas (<em>mal caruara</em>, <em>mal da junta inchada</em> ou <em>poliartrite infecciosa</em>), resultante da <strong>não</strong> ingestão do colostro nos primeiros dias após nascido, enfraquecendo seu sistema imunológico ou ainda, a falta da cura do umbigo, que é uma porta de entrada para microorganismos, assim deixando o animal suscetível a essas e outras doenças.</p>

<p>• A <strong>jitirana</strong> (<em>Ipomoea cairica</em>), o <strong>marmeleiro-do-mato</strong> (<em>Croton sonderianus</em>) e o <strong>sabugueiro</strong> (<em>Sambucus nigra</em>) são plantas medicinais encontradas na caatinga.</p>

<p><img src="https://inaturalist-open-data.s3.amazonaws.com/photos/74742670/large.jpeg" alt="Foto coloridade uma trepadeira com pequenas flores roxas">
                                                     <em>Jitirana</em></p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://lacra.ia.br/vitu/bebendo-na-fonte-do-pajeu-das-flores-b583</guid>
      <pubDate>Wed, 04 Feb 2026 18:45:33 +0000</pubDate>
    </item>
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