De tão poeta morreu pobre

Olá, navegante! Eu sou um vitu, aquele lá das ovelhas em https://masto.donte.com.br/@Vitu aqui posto textos duvidosos e poemas de rimas fracas.

“Tem que ser nordestino pra saber/dar valor ao Nordeste brasileiro” — Sebastião da Silva e Waldir Teles [PARTE 3]

Essa é a terceira parte da análise, caso não tenha lido as anteriores:

1ª estrofe 2ª estrofe

ESTROFE 03

Sentir gosto na fava bem madura Vestir bem o gibão e a perneira Crer no galho nas mãos da benzedeira Ser o doce que tem na rapadura Passear procurando tanajura Nas primeiras chuvadas de janeiro Brocoió, mocorongo, beradeiro Se isso for nordestino eu quero ser Tem que ser nordestino pra saber Dar valor ao Nordeste brasileiro

ANÁLISE:

Fava é uma leguminosa, refere-se principalmente a espécie Vicia faba, semelhante a um feijão só que maior, que pode ser preparada de como uma feijoada.

Gibão e perneira seriam como a camisa e a calça, feitas de couro, usadas pelos vaqueiros para se proteger dos galhos espinhosos das plantas da caatinga.

Foto colorida de um homem de costas vestindo uma roupa de couro marrom com detalhes brancos, consistindo em um chapéu em formato de cuia com uma aba curta, uma espécie de jaquetão sobre os ombros que é o gibão, uma proteção de couro que lembra uma calça sem o fundo que ele usa por cima das pernas de uma calça jeans que é a perneira. Ao seu lado de frente para a câmera está um cavalo acinzentado que usa uma proteção de couro escuro no peito. Ao fundo aparece uma mata desfocada.

Benzedeiras ou rezadeiras são geralmente mulheres idosas que possuem o dom de curar as pessoas, principalmente de mau-olhado e coisas do gênero, com orações realizadas enquanto “benzem” o paciente com ramos de folhas de plantas específicas. Na música REZA de Luana Flores e Jéssica Caitano a introdução é uma reza de olhado, e tanto a letra e o clipe faz outras referências a tradição das rezadeiras nordestinas.

Tanajura ou saúva são nomes dados as formigas-cortadeiras, sobretudo as maiores e os machos alados, que eram (e ainda são) utilizadas como alimento, mediante sua captura nos meses de verão, temporada de chuvas que ocorre no primeiro semestre do ano a qual chamamos de “inverno”, quando esses insetos costumam a se reproduzir, já que nesse o solo está mais macio e isso facilita a instalação dos novos ninhos.

Foto colorida mostrando diferentes castas e estágios reprodutivos de formigas, dispostas lado a lado sobre uma superfície clara, com cada indivíduo identificado por rótulos em inglês, que dizem o seguinte: À esquerda, observa-se uma operária média, de tamanho intermediário, corpo marrom-avermelhado, cabeça proporcionalmente moderada e pernas relativamente longas. Próxima a ela está uma operária menor, visivelmente menor do que a anterior. Mais acima aparece uma operária maior, robusta, com cabeça larga e mandíbulas bem desenvolvidas. No centro da imagem encontra-se a rainha fecundada (sem asas) e sobre ela uma rainha virgem (ainda alada, com asas membranosas e translucidas), ambas são maiores que as operárias, com abdômen volumoso e tórax desenvolvido, indicando sua função reprodutiva. À direita do conjunto central vê-se uma operária mínima, extremamente pequena. Por fim, à extrema-direita, aparece o macho alado, maior que as operárias e menor do que a rainha, com asas bem desenvolvidas, cuja função principal é a reprodução durante o voo nupcial.

Brocoió, mocorongo, beradeiro são sinônimos de 'caipira' ou 'pessoa simples' usados pejorativamente para se referir aos sertanejos, do qual o poeta se apropria para reverter o sentido em favor dos camponeses.

Até a próxima estrofe!

“Tem que ser nordestino pra saber/dar valor ao Nordeste brasileiro” — Sebastião da Silva e Waldir Teles [PARTE 2]

Essa é a segunda parte da análise, caso não tenha lido a primeira pode encontrá-la AQUI

ESTROFE 02

Tem no mínimo que ser “nordestizado” Para saber o que é um caritó Remedar assobio de mocó Cortar lenha de foice e de machado Tratar bem de bezerro caruado Misturar jitirana e marmeleiro Fazer chá com a flor de sabugueiro Para a febre não reaparecer Tem que ser nordestino pra saber Dar valor ao Nordeste brasileiro

ANÁLISE:

Caritó tem vários significados, nesse caso eu acho que o poeta está se referindo a prateleiras rústicas que eram construídas na própria parede da casa, como nichos pra guardar objetos construídos de “alvenaria”.

Foto colorida de uma parede de uma casa de barro com vários objetos decorativos em prateleiras distribuidas por toda sua extensão, com destaque para duas prateleira como nichos de um armário construidas na própria parede

• O mocó (Kerodon rupestris) é um pequeno roedor nativo da caatinga, que vocaliza com sons curtos e agudos que lembra um piado ou assovio. Esse chamado pode ser imitado (remedado) para atrair esses ANIMAIS.

Bezerro caruado é um animal doente, refere-se geralmente a inflamação nos membros e juntas (mal caruara, mal da junta inchada ou poliartrite infecciosa), resultante da não ingestão do colostro nos primeiros dias após nascido, enfraquecendo seu sistema imunológico ou ainda, a falta da cura do umbigo, que é uma porta de entrada para microorganismos, assim deixando o animal suscetível a essas e outras doenças.

• A jitirana (Ipomoea cairica), o marmeleiro-do-mato (Croton sonderianus) e o sabugueiro (Sambucus nigra) são plantas medicinais encontradas na caatinga.

Foto coloridade uma trepadeira com pequenas flores roxas Jitirana

“Tem que ser nordestino pra saber/dar valor ao Nordeste brasileiro” — Sebastião da Silva e Waldir Teles [PARTE 1]

Esse repente em decassílabo sempre me deixava ENCAFIFADO, porque sou nordestino e muita coisa cantada no poema eu não sabia. Aí, com medo de perder minha cidadania, fui pesquisar e vou trazer esse estudo dirigido para cá aos poucos, ilustrando as estrofes e os termos (que acho que são) mais complexos/regionais.

Obs.1 – Algumas coisas são obvias e eu vou ilustrar mesmo assim e outras vão passar, mas se ficar alguma dúvida pode me perguntar, se quiser. Obs. 2 – Não precisa ser nordestino pra valorizar o Nordeste, é só liberdade poética para compor o mote, como haverá outras liberdades ao longo do repente.

ESTROFE 01

Tem de ser de origem nordestina Pra beber água fria de cabaça Calcular a distância de uma braça Entrançar uma cerca de faxina Atirar de espingarda lazarina Palitar com espinho de facheiro Com a faca rapar o juazeiro Fazer pasta pra o dente embranquecer Tem que ser nordestino pra saber Dar valor ao Nordeste brasileiro

ANÁLISE:

Cabaça é o fruto de algumas espécies da família das cucurbitáceas (mesma das abóboras, pepinos, melões, melancias, buchas vegetais...), eu acredito que principalmente da Lagenaria siceraria (conhecida por Porongo ou cabaceira) que é a mesma que se faz a cuia de chimarrão. Depois de desidratado e limpo vira tipo um copo Stanley do sertão, a proteção do sol deixa a água sensivelmente mais fria, talvez.

Braça é uma antiga medida do sistema imperial (eca) que equivale a 2,20m. Até onde sei, é uma métrica que se popularizou no meio rural ser utilizada na metragem da terra cedida aos trabalhadores imigrantes.

• A cerca de faxina é construída de varas finas de madeira seca (inclusive é daí que vem o nome, porque faxina também denomina esses gravetos usados geralmente como lenha) entrelaçadas vertical ou horizontalmente, podendo ser construída sem arames, muito usada para cercar terrenos ou conter animais.

Foto colorida de um terreno de chão de terra batida delimitado por uma cerca de faxina construída com varas de madeira lado a lado. Além da cerca vê-se a paisagem natural, com árvores, montanhas e nuvens

• A espingarda lazarina é uma arma de baixo calibre originalmente fabricada por Lazarino Cominazzo, utilizada antigamente para a caça de subsistência de animais de pequeno porte.

Facheiro ou mandacaru-de-facho (Pilosocereus pachycladus) é uma cactácea endêmica do nordeste, utilizada às vezes para alimentação animal (após retirados os espinhos, que são grandes e numerosos). Ouvi dizer que o nome facheiro é porque os espinhos secos são “inflamáveis”, inclusive os braços secos do cacto eram usados como tochas, tochas essas chamadas de FACHOS, o que também teria originado a expressão Abaixe o facho usada para mandar alguém sossegar ou chamar menos atenção, tal qual quando se “remove a tocha do campo de visão do imimigo”.

Foto colorida de um facheiro, planta cactácea espinhosa ramificada em vários "braços", pegando fogo num ambiente escuro. Não repita isso em casa.

Ziziphus joazeiro é uma árvore de grande porte que produz frutinhos comestíveis (os bodes adoram) e que tem uma casca rica em saponinas, que fazem espuma e tem propriedades de detergentes, por isso a raspa da casca de juá é usada como pasta de dente e em outros produtos cosméticos e medicinais até hoje.

Esse foi o começo do que espero que seja uma série, até a próxima estrofe!

Se não, já devia ter dito. E muito mais de uma vez.

Tenho orgulho da sua inteligência Pra fazer piadas idiotas Da sua vocação pra arte, ciência E às vezes pra contar tuas lorotas

Me orgulho da sua beleza Da qual você esquece Orgulho daquela conquista Que me diz que não merece

Dá orgulho o seu sorriso Que ilumina o universo Dão orgulho suas lágrimas Que precedem seu sucesso

Sinto orgulho do seu trabalho Mesmo contra sua vontade Sinto orgulho de como estuda Esperando uma oportunidade

Orgulho-me de como se move E de como fica parado De quando sai pra correr na rua De quando fica em casa deitado

Mas não pense que sou orgulhoso Se não gostou, eu refaço Mas eu me sinto muito orgulhoso De me orgulhar do seu abraço.

Para aqueles que são meus amigos.

P.s.: Talvez você tenha percebido que rimei orgulhoso com orgulhoso ali, mas tem uma explicação: eu quis aproximar as palavras pra distanciar os significados, o primeiro é no sentido de envaidecido, vaidoso, arrogante, convencido e o segundo é no sentido de honrado e digno.

DISCLAIMER: Esse poema versa sobre cultos e seitas reais, como forma de ALERTA sobre a capacidade de banalização do mal por parte de certo “líderes carismáticos” realizarem lavagem cerebral convencendo pessoas normais a cometerem crimes contra si e contra outros. Não concordo com nenhuma frase desse texto e escrevi para tirar toda essa negatividade do meu sistema e deixar registrado as facetas de seitas que estão até hoje por aí de alguma forma. Estou à disposição para esclarecer qualquer dúvida e aconselho cautela ao ler caso esse assunto e seus temas relacionados, mesmo que descritos de maneira metafórica, sejam gatilhos para você.

Trajado de preto e de tênis da Nike Dando rolê de nave com Mr. Applewhite Acelerando muito mais que um cometa Fugindo, voando, deixando o planeta Só os cadastrados na equipe away Recicla essa porra e se foda vocês

Fim de semana no rancho da família Cês deram bobeira roubei tua filha Aquela dos Beatles tocando no talo Como Nas X andando a cavalo Fazendo os boy cessar de existir Mais tarde na Cielo nós vamos curtir

Põe Flavor Aid no copo de lean Pode tomar tudo, tem bala pra mim Sua ira reflete no rayban escuro Vamos viver hoje que não temos futuro Comigo não tem governo que possa O templo é do povo e a Guiana é nossa

Tamo fechado com o japonês Se você não enxerga vai chegar sua vez Tomando os ‘dol’ de quem tá no esquema Fabricando no lab a verdade suprema Quero ver geral em adoração Quando eu fizer chover na estação.

Talvez se não dissesse tanta besteira Talvez se não demonstrasse insegurança Talvez se soubesse dançar a dança Talvez se encontrasse uma maneira

Talvez se não ligasse Talvez se fosse mais forte Talvez se tivesse outro porte Talvez se não te abraçasse

Talvez se não te respondesse Talvez se não imaginasse Talvez se não gaguejasse Talvez se não tremesse

Talvez se não fosse tão insignificante Talvez seu não tivesse tanta vergonha Talvez se não fosse uma figura medonha Talvez se não fosse tão repugnante

Talvez se não fosse carente Talvez se não fosse ansioso Talvez se nascesse de novo Talvez se fosse suficiente

Talvez se não vivesse num breu Talvez se não fosse tão covarde Talvez se já não fosse tão tarde Talvez se eu não fosse mais eu

A primeira vez que te li Disso não me esqueço Parecia feita de estrelas Desde o fim até o começo Mas esse encanto infinito Nem é o dom mais bonito Da mulher que eu não conheço

A distância é um detalhe Um diminuto o preço Mas se quiser viver comigo Já é teu meu endereço Quando durmo sonho e vejo E sobre a cidade eu ouço A mulher que eu não conheço

A lua ficou mais linda O dia mais iluminado Sutilmente ela arrumou O que estava bagunçado Sou merecedor sem merecer E feliz de conhecer A mulher que eu não conheço

ATENÇÃO: Esse texto refere-se a poesia do post anterior, se você ainda não a leu, sugiro fortemente que LEIA AQUI. Essa análise é minha visão sobre o poema, mas não é a versão definitiva da interpretação, apenas mais uma das infinitas possíveis.

Esse poema começou a surgir na minha cabeça logo que vi a divulgação do nome dessa plataforma e a sua proposta. As frases começaram a surgir no meu juízo enquanto eu inconscientemente perambulava pela casa. Quando me dei conta que estava no quintal de pés descalços, voltei ao computador e solicitei um convite ao amigo Santiago, vulgo @muito_pelo@contra.rio.br e o resto é história. Ao contrário do que a prof. de literatura me ensinou na escola, comecei a escrever minha “redação” pelo título que, confesso, a princípio era apenas um trocadilho com lacraia e o livro Simulacros e Simulação (Simulacres et Simulation de Jean Baudrillard). Entretanto, isso é tudo que conheço desse tratado. Isso e que serviu de inspiração para The Matrix e aí vem a conexão póstuma (acho que tem uma palavra melhor para isso): se o filme de 99 aborda o tema da humanidade sobrevivendo ao domínio absoluto das máquinas, numa internet de 26 onde as inteligências artificiais se alastram por todos os bits que seus tentáculos alcançam, não seriam os escritores orgânicos da Lacra.ia a resistência? No meu subconsciente, aparentemente, sim. Vejamos:

O poema segue o formato de uma sextilha, ou seja, cada estrofe é composta por seis versos que seguem esse esquema de rimas:

A B C B D B

Onde, as linhas B rimam entre si e as demais não rimam com nenhuma outra. No mundo do repente, a sextilha é o estilo que geralmente abre a cantoria, ele é mais simples, não tendo mote, apenas um assunto e serve como aquecimento das mentes, dedos e cordas vocais dos poetas violeiros, achei que seria uma boa forma de começar também meu humilde bloguinho.

1ª ESTROFE

Sobrevivo no escuro Em meio a escombros Fugindo dos homens E seus “malassombros” Desejando seu fim E aguardando seu tombo

As lacraias são animais noturnos, que passam o dia escondidas em meio a folhagem, buracos ou objetos e brechas na casa das pessoas. Nesse poema, nós, inteligências naturais usuárias de redes sociais descentralizadas, somos a lacraia, vivendo nas sombras e escondida das big techs capitalistas que dominaram nosso habitat natural enquanto torcemos pelo seu fim e rezamos por nossa sobrevivência. Essas grandes empresas de tecnologia, muitas vezes controladas por neofascistas, são comparadas ao homem, tanto no sentido do ser humano e seus pesticidas polidamente rebatizados de agroquímicos, quanto no sentido de “the man” enquanto a “autoridade” opressora do capital com seus bilhões e com sua tirania.

2ª ESTROFE

Não é por maldade Meu veneno na presa Contra sua crueldade É minha defesa Você se afasta E eu saio ilesa

Aqui o texto começa a ficar mais simples, agora que já sabemos as analogias estabelecidas: lacraias são animais peçonhentos, possuem veneno e uma forma de injetá-lo, tanto para caçar quanto para se defender. Para nós esse espaço seguro, fora dos jardins murados, seria o veneno que vai afastar nossos predadores, fazê-los sofrer e quem sabe matá-los.

3ª ESTROFE

Visto armadura De placas de Bronze Pra aguentar a “pisada” Do passo do homem Sua dor é minha sina E Lacra.ia é me nome

Os artrópodes possuem um exoesqueleto queratinoso que protegem seu corpo de danos mecânicos externos e a coloração de tons marrons das lacraias as auxilia na camuflagem em meio ao ambiente terroso das superfícies naturais, mas uma vez trazendo a temática da resistência dessa plataforma, onde fui tão bem acolhido e abraçado com vários pares de bracinhos. Obrigado.

Simulacra.ias e simulacraiações

Sobrevivo no escuro Em meio a escombros Fugindo dos homens E seus “malassombros” Desejando seu fim E aguardando seu tombo

Não é por maldade Meu veneno na presa Contra sua crueldade É minha defesa Você se afasta E eu saio ilesa

Visto armadura De placas de Bronze Pra aguentar a “pisada” Do passo do homem Sua dor é minha sina E Lacra.ia é me nome

“Alô! Tá ligado isso aqui? ahrram”

Olá pessoa real que está vivendo esse momento virtual comigo! De antemão, agradeço seu clique e admiro sua coragem de estar lendo essas linhas tortas que Deus deixou por último na pilha marcada como “escrever certo depois” escrito num post-it amarelo. Meu nome é Vitu (na verdade, na verdade, não é, né? Mas você deve ter pelo menos uma vaga ideia de qual seja a origem dessa alcunha que eu mesmo me dei) e no momento em que estou escrevendo esse texto sou um quase doutor, não daqueles que levanta a mão em emergências dentro de aviões, do outro tipo, o que frequentou a faculdade por mais tempo que a maioria dos estudantes de nível superior. Minha área é a ciência animal, para ser mais específico, pesquiso os mistérios e encantos dos ovinos. Sou nordestino desde que nasci, nativo do interior plus do RN e habitante desse mesmo rincão até hoje, trinta e poucos anos depois.

Mas nada disso importa muito, o que realmente é importante (não é) é o que eu estou fazendo aqui. Sou uma pessoa de muitos hobbies, pro player de entretenimento, amo/sou filmes, série, músicas aleatórias, alguns jogos e tudo que é divertido. Dentre eles, tem uma paixão em específico pela qual nutro um carinho especial: a poesia. Desde a primeira vez que ouvi um repente cantado de improviso, minha vida nunca mais foi a mesma. Quando era pequeno, acompanhava meu pai para assistir esses bardos que visitavam a minha cidade durante os festejos de junho, com o passar do tempo fui tendo mais acesso a outros poetas que são grande fonte de motivação para escrever. Dentre eles há um em especial que batizou esse espacinho meu, seu nome é Patativa do Assaré, um poeta analfabeto do Ceará, mas que é literalmente mais doutor do que eu.

Como comentei, às vezes me arrisco a escrever um verso ou outro, que ficam presos num arquivo .docx chamado “poemas no escuro” esquecido em alguma curva fria e mal iluminada do labirinto de pastas do meu computador. Desde que conheci o Mastodon, pessoas maravilhosas tanto me inspiram a rimar, muito embora minhas rimas não estejam a altura delas, como me deixam confortáveis para trazê-las a luz da timeline. A ideia com esse blog é ter um lugar mais confortável para meus poemas de rimas pobres e métrica vacilante viverem, como se fosse um varal de cordéis exposto numa pracinha bonita do interior da internet. Não sei como será a regularidade das postagens, pois a poesia vem a mim quando ela quer, não sei se vai ser só poesia e também é a primeira que tento algo assim, inclusive obrigado por ser cobaia sem consentimento desse experimento que conselho de ética nenhum aprovaria.

*Por “nós” eu quero dizer “eu”, esse blog é feito a duas mões e LIVRE DE IA.