De tão poeta morreu pobre

Olá, navegante! Eu sou um vitu, aquele lá das ovelhas em https://masto.donte.com.br/@Vitu aqui posto textos duvidosos e poemas de rimas fracas.

Talvez se não dissesse tanta besteira Talvez se não demonstrasse insegurança Talvez se soubesse dançar a dança Talvez se encontrasse uma maneira

Talvez se não ligasse Talvez se fosse mais forte Talvez se tivesse outro porte Talvez se não te abraçasse

Talvez se não te respondesse Talvez se não imaginasse Talvez se não gaguejasse Talvez se não tremesse

Talvez se não fosse tão insignificante Talvez seu não tivesse tanta vergonha Talvez se não fosse uma figura medonha Talvez se não fosse tão repugnante

Talvez se não fosse carente Talvez se não fosse ansioso Talvez se nascesse de novo Talvez se fosse seu suficiente

Talvez se não vivesse num breu Talvez se não fosse tão covarde Talvez se já não fosse tão tarde Talvez se eu não fosse mais eu

A primeira vez que te li Disso não me esqueço Parecia feita de estrelas Desde o fim até o começo Mas esse encanto infinito Nem é o dom mais bonito Da mulher que eu não conheço

A distância é um detalhe Um diminuto o preço Mas se quiser viver comigo Já é teu meu endereço Quando durmo sonho e vejo E sobre a cidade eu ouço A mulher que eu não conheço

A lua ficou mais linda O dia mais iluminado Sutilmente ela arrumou O que estava bagunçado Sou merecedor sem merecer E feliz de conhecer A mulher que eu não conheço

ATENÇÃO: Esse texto refere-se a poesia do post anterior, se você ainda não a leu, sugiro fortemente que LEIA AQUI. Essa análise é minha visão sobre o poema, mas não é a versão definitiva da interpretação, apenas mais uma das infinitas possíveis.

Esse poema começou a surgir na minha cabeça logo que vi a divulgação do nome dessa plataforma e a sua proposta. As frases começaram a surgir no meu juízo enquanto eu inconscientemente perambulava pela casa. Quando me dei conta que estava no quintal de pés descalços, voltei ao computador e solicitei um convite ao amigo Santiago, vulgo @muito_pelo@contra.rio.br e o resto é história. Ao contrário do que a prof. de literatura me ensinou na escola, comecei a escrever minha “redação” pelo título que, confesso, a princípio era apenas um trocadilho com lacraia e o livro Simulacros e Simulação (Simulacres et Simulation de Jean Baudrillard). Entretanto, isso é tudo que conheço desse tratado. Isso e que serviu de inspiração para The Matrix e aí vem a conexão póstuma (acho que tem uma palavra melhor para isso): se o filme de 99 aborda o tema da humanidade sobrevivendo ao domínio absoluto das máquinas, numa internet de 26 onde as inteligências artificiais se alastram por todos os bits que seus tentáculos alcançam, não seriam os escritores orgânicos da Lacra.ia a resistência? No meu subconsciente, aparentemente, sim. Vejamos:

O poema segue o formato de uma sextilha, ou seja, cada estrofe é composta por seis versos que seguem esse esquema de rimas:

A B C B D B

Onde, as linhas B rimam entre si e as demais não rimam com nenhuma outra. No mundo do repente, a sextilha é o estilo que geralmente abre a cantoria, ele é mais simples, não tendo mote, apenas um assunto e serve como aquecimento das mentes, dedos e cordas vocais dos poetas violeiros, achei que seria uma boa forma de começar também meu humilde bloguinho.

1ª ESTROFE

Sobrevivo no escuro Em meio a escombros Fugindo dos homens E seus “malassombros” Desejando seu fim E aguardando seu tombo

As lacraias são animais noturnos, que passam o dia escondidas em meio a folhagem, buracos ou objetos e brechas na casa das pessoas. Nesse poema, nós, inteligências naturais usuárias de redes sociais descentralizadas, somos a lacraia, vivendo nas sombras e escondida das big techs capitalistas que dominaram nosso habitat natural enquanto torcemos pelo seu fim e rezamos por nossa sobrevivência. Essas grandes empresas de tecnologia, muitas vezes controladas por neofascistas, são comparadas ao homem, tanto no sentido do ser humano e seus pesticidas polidamente rebatizados de agroquímicos, quanto no sentido de “the man” enquanto a “autoridade” opressora do capital com seus bilhões e com sua tirania.

2ª ESTROFE

Não é por maldade Meu veneno na presa Contra sua crueldade É minha defesa Você se afasta E eu saio ilesa

Aqui o texto começa a ficar mais simples, agora que já sabemos as analogias estabelecidas: lacraias são animais peçonhentos, possuem veneno e uma forma de injetá-lo, tanto para caçar quanto para se defender. Para nós esse espaço seguro, fora dos jardins murados, seria o veneno que vai afastar nossos predadores, fazê-los sofrer e quem sabe matá-los.

3ª ESTROFE

Visto armadura De placas de Bronze Pra aguentar a “pisada” Do passo do homem Sua dor é minha sina E Lacra.ia é me nome

Os artrópodes possuem um exoesqueleto queratinoso que protegem seu corpo de danos mecânicos externos e a coloração de tons marrons das lacraias as auxilia na camuflagem em meio ao ambiente terroso das superfícies naturais, mas uma vez trazendo a temática da resistência dessa plataforma, onde fui tão bem acolhido e abraçado com vários pares de bracinhos. Obrigado.

Simulacra.ias e simulacraiações

Sobrevivo no escuro Em meio a escombros Fugindo dos homens E seus “malassombros” Desejando seu fim E aguardando seu tombo

Não é por maldade Meu veneno na presa Contra sua crueldade É minha defesa Você se afasta E eu saio ilesa

Visto armadura De placas de Bronze Pra aguentar a “pisada” Do passo do homem Sua dor é minha sina E Lacra.ia é me nome

Quem somos nós*, quem queremos ser e outras breves histórias.

“Alô! Tá ligado isso aqui? ahrram”

Olá pessoa real que está vivendo esse momento virtual comigo! De antemão, agradeço seu clique e admiro sua coragem de estar lendo essas linhas tortas que Deus deixou por último na pilha marcada como “escrever certo depois” escrito num post-it amarelo. Meu nome é Vitu (na verdade, na verdade, não é, né? Mas você deve ter pelo menos uma vaga ideia de qual seja a origem dessa alcunha que eu mesmo me dei) e no momento em que estou escrevendo esse texto sou um quase doutor, não daqueles que levanta a mão em emergências dentro de aviões, do outro tipo, o que frequentou a faculdade por mais tempo que a maioria dos estudantes de nível superior. Minha área é a ciência animal, para ser mais específico, pesquiso os mistérios e encantos dos ovinos. Sou nordestino desde que nasci, nativo do interior plus do RN e habitante desse mesmo rincão até hoje, trinta e poucos anos depois.

Mas nada disso importa muito, o que realmente é importante (não é) é o que eu estou fazendo aqui. Sou uma pessoa de muitos hobbies, pro player de entretenimento, amo/sou filmes, série, músicas aleatórias, alguns jogos e tudo que é divertido. Dentre eles, tem uma paixão em específico pela qual nutro um carinho especial: a poesia. Desde a primeira vez que ouvi um repente cantado de improviso, minha vida nunca mais foi a mesma. Quando era pequeno, acompanhava meu pai para assistir esses bardos que visitavam a minha cidade durante os festejos de junho, com o passar do tempo fui tendo mais acesso a outros poetas que são grande fonte de motivação para escrever. Dentre eles há um em especial que batizou esse espacinho meu, seu nome é Patativa do Assaré, um poeta analfabeto do Ceará, mas que é literalmente mais doutor do que eu.

Como comentei, às vezes me arrisco a escrever um verso ou outro, que ficam presos num arquivo .docx chamado “poemas no escuro” esquecido em alguma curva fria e mal iluminada do labirinto de pastas do meu computador. Desde que conheci o Mastodon, pessoas maravilhosas tanto me inspiram a rimar, muito embora minhas rimas não estejam a altura delas, como me deixam confortáveis para trazê-las a luz da timeline. A ideia com esse blog é ter um lugar mais confortável para meus poemas de rimas pobres e métrica vacilante viverem, como se fosse um varal de cordéis exposto numa pracinha bonita do interior da internet. Não sei como será a regularidade das postagens, pois a poesia vem a mim quando ela quer, não sei se vai ser só poesia e também é a primeira que tento algo assim, inclusive obrigado por ser cobaia sem consentimento desse experimento que conselho de ética nenhum aprovaria.

*Por “nós” eu quero dizer “eu”, esse blog é feito a duas mões e LIVRE DE IA.