from Plantinhas do meu jardim digital
Não vai mudar o nome do blog pois o proprietário desistiu de vender a casa. Ele propôs um aumento, nós aceitamos.
Lista dos últimos textos publicados na lacra.ia:
from Plantinhas do meu jardim digital
Não vai mudar o nome do blog pois o proprietário desistiu de vender a casa. Ele propôs um aumento, nós aceitamos.
from Strule
E aí, Jack aqui. Faz pouco mais de um mês que descobri que meu pai está com câncer, intestino, e acho que meu cérebro tá começando a reagir. Minha cabeça funciona assim, ela aprende algo, internaliza por meses e explode, e fazem 2 dias que eu to bem mal. Quer dizer, descobrir é uma palavra forte, eu já suspeitava desde janeiro, quando vi um encaminhamento dele pra um onco, mas você sempre fica com esperança de que pode ser outra coisa né. E tá todo mundo na merda em casa, alguns mais que os outros, e aparentemente eu consegui um desconto dessa vez. Dor de cabeça, sudorese, palpitações e nervosismo têm sido a regra desde ontem, falo de nervosismo real mesmo, beirando a crise e necessitando de benzodiazepínicos pra melhorar, e eu sinto que não vou melhorar tão cedo. Semana que vem meu pai tem consulta pra marcar a cirurgia, e só depois disso a gente descobre qual é, de verdade, a gravidade da situação. Margens, estágios, remédios, quimio, radio, são tantas coisas que ainda não sabemos e tantas coisas que podem dar errado... não sei o que pensar. Esse é um tópico que com certeza terá mais de uma parte, eu só não sei quantas. Mas por hoje é só, obrigada por lerem até aqui e até uma próxima.
from Strule
O que ando fazendo?
Livros: • A Introduction to Shinto – David Chart • The Green Mile – Stephen King • TMNT The Last Ronin – IDW Publishing
Series: • Shrinking – Apple TV • The Leftovers – HBO Max • Witch Hat Atelier – Stremio • Alien Earth – Disney+ • Scrubs – Disney+ • Invencível – Prime Video • Barry – HBO Max
Jogos: • Atlyss – Steam • Forza Horizon 4 – Steam • Fistful of Frags – Steam • Mafia Definitive Edition – GOG • Castlevania Chronicles – PS1
Como sempre aceito sugestões para o meu backlog
from Plantinhas do meu jardim digital
Busquei escrever um jardim digital fazendo paralelo com meu jardim literal. O problema é que o jardim é literal, o MEU é que não é. O senhorio pediu a casa.
A casa é excelente, mas é velha e precisa de muita, muita obra. Se eu levantar o valor de compra vou ter dívida pra pagar pro resto da vida e nem um centavo sobrando pra trocar uma lâmpada queimada.
Vou embora da casa. Estou tentando alugar uma similar. A primeira visita está agendada. Não tem árvore na calçada. Eu acostumei os passarinhos da minha (“minha”) árvore a me esperar às 6h com alpiste. À tarde eles entram pela cozinha e saem pela sala. Alguns voando, outros saltitando pelo chão. Conversei com eles e eles não cagam na casa nem no carro na garagem. É sério, viu? Pedi pra não cagar e não deixar os pombos andarem no quintal e no telhado e eles me atenderam! Além de rolinhas e pardais de barriguinha cheia, também recebemos pássaros canoros que começam a cantar de madrugada e vão até o por do sol. É engraçado estar com insônia, tentando dormir e os passarinhos dando a alma no palco.
Eu morava em um apartamento sem varanda e com quase zero incidência de sol. Como diz Homobono, “você não mora em casa, você nora no trabalho e no engarrafamento”, então esse cativeiro só começou a me incomodar na quarentena. Quando vim para a casa com quintal foi o êxtase. Eu disse pra mim mesma que é temporário. Ignorei meus próprios conselhos.
Importante dizer que o apartamento ainda é meu (sem aspas) e está fechado. Eu também estou me dando bronca: “para de show que você tem para onde ir”. Pra mim dá pra ficar lá. Sem sol, sem céu e acrescentando mais uns 40 minutos no trajeto casa-trabalho, mas dá.
A inquilina da casa que estamos entregando é a minha mãe. O pai morreu, meiuirmão casou e foi morar num triplex. Meu apê é no 3o. andar sem elevador. A mãe ficou sozinha em casa e tem cardiopatia e sequelas de AVC. Nem eu nem meu irmão temos um local bom pra ela morar, e ele é recém casado, então todo mundo chegou à conclusão de que eu poderia me mudar para a casa dela. Como estou conversando em público, acho bom deixar claro que se o novo aluguel fracassar, temos um teto, mas a mãe vai ter muita dificuldade para entrar e sair, e sair pra quê se está longe dos vizinhos da vida toda, da igreja a 5 minutos de caminhada, da ginástica?
Deixo aqui o testemunho da Comigo Ninguém Pode que escolheu morar debaixo da mesa.

from Strule
E aí, Jack aqui. Eu entrei numa toca de coelho de criar queijo vegano a partir de amendoim, note que eu disse queijo e não tofu. Qual a diferença? A diferença é o método utilizado na coagulação, enquanto o tofu usa um processo a partir de produtos quimicos ou limão para talhar o leite vegetal e transformar em queijo, enquanto isso o queijo utiliza de microrganismos probióticos que produzem ácido lático.
Mas vamos lá, pra fazer queijo primeiro eu decidi aprender a fazer o tofu, utilizando como coagulante o Sulfato de Cálcio(popularmente conhecido como gypsum) e nesse teste utilizei também o limão. O primeiro teste foi feito com amendoim torrado, utilizei ele porque já tinha em casa e esperava dar um sabor mais pungente. Deu errado, não coagulou nem deixando 24h parado. Mas eu esperava por isso, decidi então comprar amendoim cru, já que os tutoriais na internet utilizavam ele. Teste número 2:
1 xícara de chá de amendoim cru descascado
450ml de água
5g de gypsum
meio limão
O teste deu mais ou menos certo, enquanto houve coagulação em 1h, o volume foi bem pequeno e nem compensava. Parti pro teste número 3:
2 xícaras de chá de amendoim cru descascado
900ml de água
1 colher de sopa generosa de gypsum
1 limão e meio
O teste foi um sucesso, depois de 2h de descanso houve muita coagulação, deixando a massa pesada de mexer, o resultado final depois de 12h de refrigeração foram 323g de um tofu com consistência entre requeijão cremoso e ricota com um sabor diferente de qualquer coisa que já provei. É um pouco ácido demais(exagerei no limão eu acho), a quantidade de sal não foi o suficiente e o sabor de amendoim é suave. Na próxima receita vou tentar utilizar apenas o gypsum para diminuir a acidez.

Isso é o que eu tenho até agora e decidi compartilhar, agora estou tentando conseguir Kefir para usar como probiótico para fazer o queijo. Até a próxima
from Strule
85% des autistas estão desempregades.
E aí, Jack aqui e esse dado conhecido pela comunidade é da Autistic Americans Civil Liberties Union, mas o IBGE com o censo de 2022 mostra um cenário similar, com algo entre 78% e 90%. Ainda segundo o IBGE, apenas 7,1% dos adultos autistas concluíram o Ensino Superior e 46,1% não concluíram o Ensino Fundamental.
Eu estou desempregada há aproximadamente 6 meses e a maioria dos meus amigos autistas também estão. Isso se dá por diversos fatores, mas segundo testemunho dos mesmos, uma grande parcela da culpa é do capacitismo de recrutadores. Quando dizem que são autistas não passam nem para vagas PCD, quando não dizem não passam dos testes psicológicos.
Meu último emprego foi uma vaga PCD para cobrir uma guria autista que teve que ser internada por ter crises constantes, fiquei trabalhando 4 meses e logo comecei também a ter crises. Foram 8 meses de tratamento para as crises melhorarem e durante esse tempo pensei diversas vezes em me internar, a médica de saúde do trabalho inclusive recomendou que eu o fizesse e eu tive que assinar, junto com a minha mãe(?????? eu tenho 28 anos), uma carta recusando internação. Passei da dose mínima de antipsicotico para a mais forte e até hoje sinto os efeitos.
Por que isso acontece? Bom, eu diria que é porque o ambiente de trabalho não é feito pensando em neurodivergentes. Luzes, sons, superlotação e cheiros fortes são super presentes nesse ambiente, o trabalhador fica de 6 a 8h por dia, 6 dias por semana no trabalho e o patrão jura que não há nada que possa ser feito quanto a isso, dessa forma, fica insustentável a saúde mental do autista e o leva ao burnout autista.
E é sobre isso que eu queria falar, não ta mole ser autista, obrigada por ler.
from Strule
E aí, Jack aqui. Eu sou judia, etnicamente e até pouco tempo religiosamente também. E é disso que quero falar hoje, sobre como os atos de parte da comunidade podem ser desgastantes até acabar com a sua fé. Eu nasci católica e até aos meus 14 anos era assim que eu me identificava, ia a missa, fiz primeira comunhão e até crisma, mas comecei a questionar certos dogmas e acabei começando a buscar novos caminhos.
Aos 16 anos me descobri etnicamente judia ao fuçar na árvore genealógica da família e aos 18 após estudar um bocado da religião decidi começar o processo de conversão, processo esse que não finalizei até hoje por motivos de sou pobre e n tenho grana pra me mudar pra São Paulo, onde está a sinagoga mais próxima, sendo assim, acompanhava os serviços pela internet e cheguei a participar de seders online com a galera do Pink Peacock(bar anarquista judeu da escócia), antes de seu fechamento.
Em 2023 começou o conflito atual de uma guerra que dura décadas, alguns diriam que séculos, e logo começou o desgaste. Primeiro o podcast que eu ouvia começou a fazer comentários que me desagradavam, mas beleza, parei de ouvir e continuei só assistindo aos serviços, falando com amigos judeus pró palestina(salve galera) e participando r/judaísmo no reddit, com o tempo o subreddit se tornou insalubre e qualquer tentativa de defender o outro lado era vista como ódio a si próprio ou você era acusada de fingir ser judia, saí de lá também.
Pra mim começou a ficar difícil de verdade quando eu vi o rabino que eu mais gostava da sinagoga fazendo declarações a favor de Israel e eu comecei a me afastar também da comunidade, até que 2 semanas atrás eles fizeram um serviço em homenagem aos soldados israelenses vítimas do terrorismo. Isso pra mim foi o fim, a gota d'água. Eu ainda acompanhava uma rabina americana pró palestina, mas havia me distanciado de mis amigues também.
É desanimador ter uma fé e não ter comunidade nem mesmo online, então resolvi abandonar a fé judaica. Depois de 10 anos, eu me vejo novamente estudando outras fés, procurando aonde pertenço. No momento estou lendo um livro sobre o xintoísmo, por influência de uma amiga, vamos ver o que o futuro me reserva.
from fidarossa
Se você já ouviu falar de soberania digital ou autonomia digital, talvez você se interesse pela plataforma tubedu, que conheci através do @biloti@tubedu.org, docente da Unicamp.
A plataforma é dedicada a vídeos educacionais no fediverso e é feita com a ferramenta peertube, que te permite criar sua própria plataforma de vídeo, com total independência das gigantes de tecnologia.
#autonomiadigital #soberaniadigital #videoEducacional #peertube #fediverso
from Plantinhas do meu jardim digital
Saí de férias por 15 dias. Me perguntaram o que eu ia fazer e na real já tem um tempo que eu não consigo programar nada. Não sei quando vou conseguir sair, quando vejo uma oportunidade de pedir os dias já está muito em cima da hora. Então eu simplesmente fiquei em casa. Hoje foi um dos melhores dias. Fiquei sozinha, sentada no sofá da sala com a tv desligada, uma coberta e um livro. Um monte de passarinho cantando e pulando nos galhos da árvore. Quando vi a cachorra sentada na varanda olhando os passarinhos me deu uma felicidade, me deu por alguns minutos a certeza de que não estou “perdendo tempo fazendo nada”.
No fim de semana a esquadrilha da fumaça fez apresentações. Muito bonitinho os aviõezinhos fazendo acrobacias. Sentei na varanda (tá, fiquei em pé sobre a mureta da varanda). Olhando pra cima o tempo todo vi o show dos passarinhos. “Eu também sei fazer! Weeeeee!” mas não, claro que eles não estavam se exibindo, eles estavam fazendo o que fazem toda a tarde e eu não tinha reparado por não ter ficado um tempão olhando pra cima antes.
Mexi um pouco nas plantas. Tentei me desfazer de uma Dracena que peguei na rua mas não estou conseguindo cuidar. Botei num vasinho, no pé da árvore da calçada. As crianças da vizinha derrubaram. Botei pra dentro. Dois dias depois botei outra vez na árvore. Agora há pouco fui buscá-la de novo porque não queria que o lixeiro levasse. De novo ela estava no chão, com a terra espalhada, o vaso tombado e as crianças da vizinha na calçada. Peguei só o vaso. Eu tentei, dracena, eu achei que alguma vizinha ia querer “planta grátis”.
Na calçada do prédio onde eu morava as lojas construíram canteiros e encheram de plantas ornamentais. Os transeuntes roubaram as plantas. Os lojistas replantaram, mas colocaram várias placas com insultos e ameaças. A ornamentação deixou de ser um ponto agradável pra pousar a vista.
Pesei o clima e anoiteceu, não tem mais passarinho brincando nos galhos. Estou vendo a ponta do rabo da cachorra, significa que tenho que limpar o “banheiro” dela... Ela entrou se lambendo... Deve ter comido o pé de girassol de novo!
from De tão poeta morreu pobre
“Tem que ser nordestino pra saber/dar valor ao Nordeste brasileiro” — Sebastião da Silva e Waldir Teles [PARTE 6]
Essa é a sexta parte da análise, caso não tenha lido as anteriores:
1ª estrofe 2ª estrofe 3ª estrofe 4ª estrofe 5ª estrofe
ESTROFE 06:
Tem que ser viajante das estradas Companheiro da lua irmão do sol Escutar na biqueira o rouxinol Se expressar com aboios e toadas Respeitar o silêncio das chapadas Partilhar o alforje do vaqueiro Pés descalços correr no tabuleiro E com as forças de Deus se proteger Tem que ser nordestino pra saber Dar valor o nordeste brasileiro
ANÁLISE:
Rouxinol (Luscinia megarhynchos) é um pássaro muito comum no nordeste, que possui um canto bem distinto que geralmente se escuta a noitinha e que fazem muitas vezes seus ninhos nos telhados ou nas biqueiras das casas
O aboio é, originalmente, o conjunto de sons que o vaqueiro usa para conduzir o gado, esses sons podem ser mais simples ou complexo, tendo letras rimadas e improvisadas e até transformadas em toadas e canções.
https://youtu.be/W2Fp65JJwbw?si=rn_2kumI0FRVfFh9
from De tão poeta morreu pobre
“Tem que ser nordestino pra saber/dar valor ao Nordeste brasileiro” — Sebastião da Silva e Waldir Teles [PARTE FINAL]
Essa é a sétima e última parte da análise, caso não tenha lido as anteriores:
1ª estrofe 2ª estrofe 3ª estrofe 4ª estrofe 5ª estrofe 6ª estrofe
ESTROFE 07:
Nordestino conhece cabeçote Peba, fojo, coivara e roçadeira A medida do cabo da peixeira Cascavel chocalhando no serrote Admira a cantiga do capote Exclamando “tô fraco!” no terreiro João de barro pra ele é engenheiro O carão é profeta e tem poder Tem que ser nordestino pra saber Dar valor o nordeste brasileiro
ANÁLISE:
• Cabeçote é um cupinzeiro, um ninho de cupins, aqueles montinhos de terra que ficam sobre a pastagem.
• O Peba (Euphractus sexcinctus) ou tatupeba é um tatu nativo da América do Sul, muitas vezes consumido pelos sertanejos, sendo o fojo uma espécie de armadilha usada para sua captura, é basicamente tábua sobre um buraco na terra que cede com o peso do anima, daí também vem a expressão “Mais falso do que tábua de fojo”. Ainda no mesmo verso o poeta cita a coivara que é uma técnica agrícola que consiste em limpar um terreno para o plantio, e o material vegetal original é organizado num monte (a coivara propriamente dita), deixado para secar e depois queimado.

• Capote é a mesma Galinha-d'angola (Numida meleagris), as vezes também chamado de guiné.
• Carão (Aramus guarauna) é uma ave da família das garças. A cultura popular acredita que quando o carão canta ele está anunciando que há chuva chegando e/ou que o período chuvoso vai ser de elevada precipitação. Biologicamente, as aves possuem mecanismos de percepção de modificações atmosféricas e o canto pode funcionar como alerta aos outros indivíduos que as condições meteorológicas estão mudando e eles precisam encontrar abrigo. Ainda, os animais geralmente sincronizam seus períodos reprodutivos com épocas do ano de maior fartura alimentar, que é o caso do época das chuvas no nordeste, assim, o canto também pode fazer parte de um ritual de corte dos machos para atrair fêmeas a reprodução.
ESTROFE 08:
Adorar juazeiro e petrolina As carrancas do rio São Francisco Perseguir tejuaçu arisco Pentear o pitó com vaselina Acertar de bodoque na cravina Limpar mato pisando em formigueiro Se você é sulista ou estrangeiro Venha cá comprovar e aprender Tem que ser nordestino pra saber Dar valor o nordeste brasileiro
ANÁLISE:
• As Carrancas são esculturas de madeira geralmente representando uma cabeça animalesca e monstruosa, usadas nas proas das embarcações para espantar maus espíritos das águas, ou ainda como ornamentação.

• Tejuaçu ou teiú, são lagartos do gênero Tupinambis, animais bastante defensivos.

• Pitó é o penteado também chamado de coque.
• Cravina ou tico-tico rei (Coryphospingus cucullatus) é um passarinho comum da fauna nordestina.
FIM Até o próximo poema!!!!
from Plantinhas do meu jardim digital
Eu quero baixar tudo, mas não estou organizada para organizar as coisas, além do meu equipamento estar todo capenga e o preço do armazenamento estar na estratosfera :(
Jorge Ben Jor – Especial MPB 1972 [Raridade]. [Youtube]((), 38m55s
Joyce Alane – Tudo é minha culpa (ao vivo no Guararapes). YouTube, 40m
No site Internet Arquive, a conta MTV Media Archives BR reúne shows da MTV Brasil.
Tiny Desk Brasil e a lista “El Tiny” celebrates Latin Music Month
Postado em 2026-04-23
from meu sorriso é uma faca que corta essa introversão
Da chuva vem o sol
Há tempos sem te ver Tentei esquecer Mas tudo volta É só ver você e sentir Tudo outra vez
E mesmo sem te ter Todo o tempo que Você foi embora Saiba que não desisti Eu te esperei
Queria te contar Tudo que passei As coisas que vivi As vezes que chorei Sem você estar aqui Pra me dizer
Que tudo vai passar: “Da chuva vem o sol” Só que o tempo passou E você mudou Mas tudo bem Eu mudei também
from De tão poeta morreu pobre
Se fossem 30 dias de cadeia Dispensaria advogado Se fossem 30 dias em alto mar Não seria resgatado Se fossem 30 dias de guerra Terminaria condecorado Se fossem 30 dias correndo Não ficaria cansado
Se fossem 30 dias de escuridão Meus olhos nem abriria Se fossem 30 dias de luz Ao sol agradeceria Se fossem 30 dias no inferno Jamais me arrependeria Se fossem 30 dias de calor Nem a suar chegaria
Mas foram 30 dias de paraíso E eu fui abençoado 30 dias de afagos E eu foi reconfortado 30 dias de declarações Eu sempre emocionado
Foram 30 dias de alvoradas E eu esperando seu bom dia 30 dias de madrugadas A noite já não era sombria 30 dias de amores 30 dias de alegrias 30 dias que precedem Infinitos 30 dias.
Para Ana Letícia
from De tão poeta morreu pobre
“Tem que ser nordestino pra saber/dar valor ao Nordeste brasileiro” — Sebastião da Silva e Waldir Teles [PARTE 5]
Essa é a quinta parte da análise, caso não tenha lido as anteriores:
1ª estrofe 2ª estrofe 3ª estrofe 4ª estrofe
Disclaimer: eu pulei uma estrofe anterior, vou trazê-la agora antes da 5ª, nomeando-a de 05a
ESTROFE 05a:
Tem que ser nordestino bem porreta Pra nos dedos fazer um capitão De farofa, de arroz e de feijão E comer com pimenta-malagueta Com a foice cortar jurema preta Amansar animal passarinheiro Tomar banho com água de barreiro Esgotar a cacimba de beber Tem que ser nordestino pra saber Dar valor do nordeste brasileiro.
ANÁLISE:
• Capitão, como o próprio poeta explica no verso seguinte, é um bolinho feito amassando-se o feijão e a farinha com as mãos no momento da alimentação. Também pode ser chamado de raposo/raposa ou macaquinho.
• Jurema preta (Mimosa tenuiflora) é uma espécie arbórea da caatinga, de galhos finos, escuros e espinhosos.

• Animal passarinheiro é aquele que se assusta fácil com objetos ou movimentos que ocorram ao seu redor, muito usado para descrever cavalos que não passaram por processo de doma.
• Cacimba e barreiro são duas formas de captação e armazenamento de água, sendo a cacimba uma espécie de poço escavado em locais úmidos para obtenção de água subterrânea e o barreiro é uma trincheira feita para captar água da chuva que escoa pela superfície do solo.

ESTROFE 05:
Tem que ser nordestino cabra macho Pra na cerca fazer um passador Com as ervas inventar um lambedor Preparar nó de porco e barbicacho Perseguir passarinho com um facho Botar uma careta em marrueiro Com a canga prender pai de chiqueiro Pra na cerca dos outros não caber Tem que ser nordestino pra saber Dar valor o nordeste brasileiro
ANÁLISE:
• Passador ou passadiço é uma estrutura semelhante ao uma pequena escada, geralmente feita de madeira rústica e montada sobre uma cerca de arame farpado, para permitir que uma pessoa passe de um terreno para o outro sem precisar se deslocar até a entrada desse espaço delimitado

• Lambedor é um xarope natural e caseiro feito com mel, plantas medicinais, especiarias e etc, para o tratamento de tosse e outros sintomas de gripe, principalmente.
• Nó de porco (também chamado de volta do fiel) e barbicacho são tipos de nós usados para amarrar cargas e animais. Barbicacho também pode se referir ao laço que passa por baixo do queixo para prender o chapéu a cabeça.
• Perseguir passarinho com um facho é uma técnica de caça de subsistência ou captura de animais, onde se utiliza uma lanterna (ou outra fonte de luz) para ofuscar a visão de pássaros a noite e facilitar a apreensão.
• Careta é um anteparo, uma máscara, confeccionada geralmente em couro, utilizada para cobrir os olhos de animais defensivos e/ou reativos e facilitar sua condução, protegendo as pessoas e o próprio animal. Marrueiro inclusive refere-se a um touro bravo, não domado.
• Canga ou cangalha é uma estrutura feita com madeira de galhos de árvores, formando como se fosse um triangulo ao redor do pescoço ods animais, para evitar que eles passem por entre os arames dos cercados. O pai de chiqueiro é o nome dado ao macho caprino adulto, o bode reprodutor da criação, que muitas vezes tenta passar da cerca em busca de fêmeas no cio, por exemplo.
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Até a próxima estrofe!
from Plantinhas do meu jardim digital
De onde eles vêm, de Jeferson Tenório
O romance acompanha Joaquim, um estudante de Letras em Porto Alegre nos anos 2000, um dos primeiros cotistas a entrar na universidade pública. Entre o cuidado com a avó doente, o desemprego e o preconceito, ele tenta se manter firme em seu amor pelos livros.
A obra mostra como o racismo e a desigualdade moldam trajetórias, mas também como a literatura pode ser uma forma de resistência e cura.
Puro, de Nara Vidal
Na década de 1930, Santa Graça, em Minas Gerais, poderia ser um vilarejo idílico, “referência de virtude e limpeza no território nacional” — e é nisso que alguns de seus habitantes estão tentando transformá-la. O casarão onde vivem Lázaro, menino de seus quinze anos, e as três velhas que o adotaram quando bebê abandonado é o epicentro desta narrativa que toma rumos cada vez mais surpreendentes. Neste novo romance, Nara Vidal explora, com a maturidade de quem está acostumada a tecer histórias em diversos gêneros, temas duros, sem ter medo de colocar no papel as ações e os pensamentos mais desafiadores de seus personagens.
Com uma prosa direta, Nara Vidal envolve os personagens no contexto histórico do fortalecimento do movimento eugenista brasileiro, num romance inovador e, acima de tudo, corajoso.
Clube de Leitura Escambo Cultural